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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Seg | 13.08.18

Dizem os outros.

Catarina Duarte

“Cada ser humano tem direito a preparar-se, sozinho, num silêncio claustral, para o momento em que vai dizer adeus ao mundo, e para a morte. Purificar novamente a alma, tornar a alma humana leve e piedosa, como era no princípio dos tempos, na infância.”

A Mulher Certa – Sándor Márai

Qui | 09.08.18

Prozac e o amor.

Catarina Duarte

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(imagem retirada do pixabay

 

Ocasionalmente, debato-me com o peso dos medicamentos nas nossas vidas. Claro que são inegáveis as suas propriedades, a capacidade que têm em nos apaziguarem as dores, de nos acalmarem os ânimos, de nos curarem, mas, qual será mesmo a sua importância, no final do dia?

 

Não sou grande amiga de medicamentos, raramente lhes pego, exceto em casos de necessidade extrema (mas, também, admito que poderei estar aqui a falar de barriga cheia: nunca tive real necessidade de lhes recorrer).

 

Penso sempre: até que ponto o facto de tomarmos determinado medicamento de forma continuada não pode ter consequências nefastas noutra questão qualquer na nossa saúde? Será “um cura deste lado e um destrói no outro”?

 

Há uns tempos, ouvi alguém referir que o Prozac tem um efeito colateral brutal apesar de parecer quase impossível acreditar-se nele: segundo ouvi, o Prozac tem um componente qualquer que altera o nosso organismo ao ponto de nos fazer perder a capacidade de amar.

 

Por estarmos a falar das consequências dos medicamentos, em geral, para efeitos deste texto, pouco interessa que componente é esse. A fonte também é pouco relevante, pelas mesmas razões, apesar de achar que foi o Luís Pedro Nunes que o referiu, no programa Fala com Ela. Não sei qual o grau de veracidade deste ponto. Mas já verifiquei, por diversas vezes, que os medicamente podem tirar mais do que dão.

 

Na verdade, vivemos numa sociedade que se automedica, não sendo, na minha opinião, um ponto inteiramente mau (não há pachorra para malta que vai entupir urgências porque não sabe tomar um paracetamol), a verdade é que este recurso fácil ao medicamento, sem, muitas vezes, termos o conhecimento necessário para tal, pode ter consequências, algumas delas muito graves.

 

Há países onde a venda de medicamentos é feita por unidose. Se só é necessário tomarmos um medicamento por dia, durante 5 dias, porquê comprar uma caixa com 40 unidades? Para além do desperdício óbvio dos medicamentos que ficam a apodrecer no nosso armário, para além da utilização de plásticos e embalamentos excessivos para os conservar, esta situação não originará que, à mínima queixa, alguém lhes recorra, atendendo ao facto de estarem ali à mão de semear?

 

O que interessa, neste propósito que agora vos escrevo, é lançar o tema e enviar a pergunta: os medicamentos são fundamentais na sociedade que queremos construir mas, tal como, aparentemente, alguns antidepressivos nos podem tornar pessoas passivas, pelo seu uso excessivo, não estaremos, em algum momento, a perder algo muito maior do que aquilo que estamos a ganhar?

 

Qual a vossa opinião?

Qua | 08.08.18

Na paragem.

Catarina Duarte

Não era um rapaz índio, aquele que esperava no banco da paragem, mas era muito parecido com um. Tinha cabelos pretos, muito escorridos, como um rapaz índio, só que não era um. A sua pele, essa, era escura e o seu subtom quente, a atirar para os amarelos, como um rapaz índio, aliás, só que não era mesmo um.

 

Estava sentado no banco da paragem e, ao seu lado, sentava-se uma miúda, que de rapariga índia tinha muito pouco porque não era, na verdade, uma.

 

Sorriam firmemente com aquele sorriso que não engana ninguém e sorriam também com os olhos que sorriam mais do que o sorriso de índios que não eram. O sorriso brilhava e os olhos também. Brilhava, na verdade, tudo naquele banco da paragem onde, o rapaz índio que não o era e a miúda que nada tinha para ser uma, estavam sentados.

 

Os olhos, os nossos malfadados olhos, são capazes de tudo, até de falar mais do que os sorrisos e dos que as bocas e do que os braços e do que as pessoas. Atraiçoam-nos mas são honestos: não podemos confiar nos nossos olhos.

Ter | 07.08.18

Uma questão de fé.

Catarina Duarte

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Ocasionalmente, surge uma moda que visa assaltar costumes. Não se limita, porém, a discordar dos mesmos, ousa mesmo desrespeitá-los.

 

Não sou das que considera que os costumes são intocáveis e, no que à religião diz respeito, julgo mesmo que tudo se resume a uma questão de fé. “Acreditas? Tudo bem. Não acreditas? Está tudo bem na mesma.” A nossa fé, ou ausência dela, não nos torna, propriamente, pessoas especiais. Sinto, porém, que existe uma certa aura de grandiosa superioridade em quem, de facto, não acredita em nada, como se, ao não acreditar, se estivessem a colocar no patamar dos mais iluminados (o que não deixa de ser irónico, dado que falamos de religião). Falo mesmo de um degrau que não está disponível a todos. Olha, talvez nem seja um degrau mas mais uma espécie de altar (outra vez!), deixando de fora, claro, todos aqueles que se agarram a uma religião.

 

Portugal é um Estado Laico, isso é do conhecimento de todos, sendo que, julgo que também será do conhecimento de todos, a grande maioria da população portuguesa é católica, ou seja, há um histórico muito, muito enraizado, de ligação a essa igreja.

 

Sinto que alguma parte da nova geração, os jovens de hoje em dia, por diversos motivos, se tornaram descrentes na Igreja Católica. Até aqui, tudo bem. Não considero que, a ligação a algo que nos surge pela veia da tradição, seja fundamento mais do que suficiente para ali ficarmos presos para o resto da vida.

 

Porém, há mesmo uma linha que separa o “não acreditar e respeitar” e o “não acreditar, não respeitar e a achincalhar quem acredita”, só porque se é mais concreto na aquisição das crenças e só se acredita no que, de facto, é palpável ou que a ciência pode, de algum modo, provar.

 

Cada macaco no seu ganho: à ciência o que é da ciência; à religião o que é da religião. Até porque ambas – ciência e religião - têm peso e importância no suporte de uma sociedade.

 

Esta é a minha opinião. Qual é a vossa?

 

Sex | 03.08.18

Recados para o fim-de-semana.

Catarina Duarte

Antes de vos desejar um bom fim-de-semana (que será já no final deste post), tenho alguns recados para o fim-de-semana:

 

- Votem neste humilde blog na iniciativa dos Blogs do Ano. Podem votar as vezes que quiserem e mais do que uma vez, se assim o entenderem. Eu agradeço :) É só carregar aqui;

 

- Se vão entrar de férias e não sabem o que ler, espreitem as minhas recomendações de leitura para estas férias aqui;

 

- Se ainda não me seguem no instagram, têm aqui uma boa oportunidade para o fazer. Possivelmente, não vão aprender grande coisa mas, pelo menos, veem umas fotografias giras e tal (depois quero opinião, ok?). É só seguir este link. Este fim-de-semana promete ter muito potencial no que à fotografia diz respeito.

 

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Um bom fim-de-semana para todos :)

Qui | 02.08.18

Arte honesta.

Catarina Duarte

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(Imagem retirada do pixabay)

 

Tem muita graça quando utilizam a palavra honesta para caracterizar um determinado livro ou filme ou arte, em geral, porque eu percebo exatamente qual o propósito deste adjetivo.

 

Aliás, sobre isso falo, no nível 2 dos meus Workshops de Escrita Criativa, da verdade no que à escrita, nesse caso concreto, diz respeito. É um ponto muito relevante e que faço questão de esmiuçar pela importância que tem.

 

Por mais voltas que se dê, a honestidade das obras é aquilo que nos aproxima delas. Quando nos identificamos, algures no meio de uma leitura, com determinada história, mesmo que nunca tenhamos passado por ela, é porque estamos a identificar a verdade. Porque, de algum modo, a conseguimos projectar em nós.

 

É isso que nos faz gostar ou não gostar de um filme, de um livro ou de uma pintura, em específico.

 

A ausência da verdade, em determinada obra, torna-a, claro, absolutamente desonesta, o leitor apercebe-se logo da ratoeira e desliga e dela se desprende, referindo que é uma obra com a qual não teve grande empatia. Quantas vezes isto nos acontece? Nos textos mais pequenos, que se encontram por este mundo fora, verifica-se, exatamente, o mesmo.

 

Falar a verdade na arte é como falar a verdade na vida: é obrigatório, é vital, diria mesmo. É uma questão de princípio.

Qua | 01.08.18

Dizem os outros.

Catarina Duarte

"Quanta vaidade, quanta mediocridade, em cada sentimento humano! Sentia que a família se perpetuava, que tudo, subitamente, adquiria sentido, a fábrica e o mobiliário, os quadros nas paredes, o dinheiro no banco. O meu filho tomaria o meu lugar naquela casa, na fábrica, no clube dos duzentos... Mas não tomou. Olha, reflecti muito nisso. Não estou seguro de que uma criança, um descendente nosso, seja solução para a crise existencial de um indivíduo. Essa é a lei, sim, mas a vida não conhece leis."

 A Mulher Certa – Sándor Márai

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