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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

10.08.16

Sobre o sentido de humor.

Catarina Duarte
Embora me considere uma pessoa simpática, não sou de gargalhada fácil. Acho que a identificação com o sentido de humor de alguém vem na mesma medida do que a identificação de valores ou estilos. Em degraus diferentes, é certo, mas no seguimento da mesma lógica. Acho imensa piada ao meu irmão e ao meu marido. Se calhar, aqui, sou suspeita e não (...)
08.08.16

Just write.

Catarina Duarte
Na altura em que publiquei o livro, algumas pessoas, a maior parte pessoas que conheço apenas de relance, referiram, sempre com carinho, estima e, alguma, admiração, a seguinte frase: - Também adorava publicar um livro! Via-lhes algum brilho no olhar. Via-lhes alguma vontade. Via-lhes alguma intenção. É engraçada, esta frase. (...)
03.08.16

Os palmiers do Moinho.

Catarina Duarte
São raras as vezes que regresso à morada onde vivi durante mais de vinte anos. Por nenhuma razão em particular, simplesmente porque não pertence ao percurso que faço diariamente. No outro dia, fiz questão de lá estacionar, quando me dirigia para determinado local. É sempre difícil voltar aos sítios onde fomos felizes – pude comprová-lo nesse dia. Entrei numa das pastelarias da minha infância, os donos reconheceram-me e falaram-me com aquele carinho típico de quem nos viu crescer. Pedi um palmier para matar saudades.
01.08.16

Escrever.

Catarina Duarte
Perguntam-me se, maioritariamente, escrevo ao computador ou se prefiro o embalo de uma caneta. Se é verdade que a mão me cansa, pela força que emprego na constituição de um texto, não menos verdade é que as ideias fluem e se concretizam melhor com a passada agitada de uma caligrafia tremida do que com a regularidade de um teclado e a luminosidade de um ecrã. Porém, e o mais relevante é que, os meus textos, nunca ficam como os desenho numa folha de papel. Mas o esqueleto e alma (...)
31.07.16

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa.

Catarina Duarte
Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, pairam turistas sarapintados pelo sol, leves, de calções e camisolas de alças e sempre, sempre, de máquina fotográfica a tiracolo.   Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, pareço, algumas vezes, uma turista envergonhada, procuro olhar sem ser olhada, ver sem ser vista. Uma estranha na minha cidade, adquirida, ela, por visitantes ocasionais, cabeleiras louras e curiosidade latente nas suas peles claras.   Nesta (...)
30.07.16

As pregas das suas rugas.

Catarina Duarte
As pregas das suas rugas - aceito-as eu e abraço-as. Não as invejo mas, reconheço nelas, anos de traquejo e camadas de vivência. As pregas das suas rugas são filamentos de existência. São fibra da vida. São os canais do momento. As pregas das suas rugas - são também minhas, as rugas, aquelas que não tenho. Revejo-as e adquiro-as. Encaro-as como proprietária. Fiel depositária dos sentidos. E assimilo-as. As pregas das suas rugas - são minhas. Suas e minhas. As pregas das (...)
09.06.16

Sul América.

Catarina Duarte
A minha avó ia ao Sul América. Conheço o Sul América desde o tempo em que a minha avó lá ia. Por isso, conheço-o há muito tempo. Mesmo. Desta forma, claro que fico triste quando vejo os "Sul Américas" desta vida serem substituídos por Burgers Kings, Pizza Huts e outros que tais. Porque vejo a modernidade (...)
29.05.16

Crónica de uma Portuguesinha.

Catarina Duarte
Não perco mundo por ter uma significativa percentagem em mim de portuguesinha. Por muitas músicas que ouça, que ouço, por muitos géneros que adquira, que adquiro, nada supera o cantar sofrido de um fadista, a mágoa reflectida na repetição dos versos, a alma colocada em cada quadra. Sinto, em cada dedilhar da guitarra portuguesa, o choro (...)
27.05.16

Dar tempo. Especialmente a quem tem mau acordar.

Catarina Duarte
Lembrem-se disto: É preciso dar tempo. A tudo. Até a quem tem mau acordar. Os momentos que se seguem ao meu acordar são desastrosos. Não sou uma pessoa particularmente alegre aos primeiros minutos da manhã e pouco importa se acordo com o despertador ou por mim. Nunca beijo o mundo de felicidade só pelo simples facto de ser uma sortuda por acordar. Os (...)
26.05.16

Sobre a educação.

Catarina Duarte
Ela descia, de forma desengonçada, a ladeira de acesso ao meu prédio. Trazia na mão uma revista enrolada e, na outra, a carteira, de alça curta, cola ao corpo. Segurei-lhe na porta quando percebi que era no meu prédio que ela pretendia entrar e aguardei. Passou por mim, subiu as escadas de acesso ao elevador, carregou o botão e ficou, algo (...)