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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 15.03.16

A morte une as pessoas.

CD

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A morte une as pessoas.

 

A morte tem, inerente a ela própria, a capacidade de amaciar as amarguras passadas e as quezílias presentes. Soltam-se as amarras da tensão e as ternuras são refinadas numa espécie de escorredor de malha pequena, descendo, pó atrás de pó. Presas a esse mesmo escorredor, não conseguindo passar por entre os seus buracos finos, ficam apenas as mágoas antigas.

 

A morte une as pessoas.

 

Consegue neutralizar. Consegue extinguir. Consegue anular. Com a morte, todos nós conseguimos resfriar a memória, deixando apenas a cirandar as recordações, já saudosas de bons momentos, que ainda não tiveram nem tempo nem distância para se fazerem sentir.

 

A morte une as pessoas.

 

A morte tira-nos tudo. E, já que assim é, que, pelo menos, não nos tire a união. Este ano tem sido particularmente duro ao nível das mortes.

 

Mas a morte une as pessoas.

 

E ainda bem.