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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 10.01.18

A noite em que Hollywood se vestiu de luto.

Catarina Duarte

globos de ouro 2018.jpg

 (Gabriel Olsen/ Getty Images)

 

Esta edição dos Globos de Ouro ficou marcada pelos protestos como forma de condenação ao assédio e abuso sexual.

 

Num ano em que as mulheres resolveram falar, onde, através do movimento #metoo, deram a cara e apontaram dedos, era espectável que algo fosse feito para chamar à atenção deste tema. Uma cerimónia como os Globos de Ouro, com esta visibilidade, contexto e pessoas, parece-me o sítio perfeito.

 

Ainda bem que não deixaram cair o tema. Este assunto não pode morrer.

 

Há, porém, um ponto que queria sublinhar. Li, por esta internet fora, alguns comentários maus às (julgo que apenas) três mulheres que não se vestiram de preto nessa noite.

 

Não consigo entender, por mais anos que viva, esta sede insaciável de arranjar bodes expiatórios. Estes ataques são reflexo cru deste mundo que estamos a criar, cada vez mais intolerante à diferença, apesar de todo o trabalho feito em prol da igualdade.

 

Não está em causa se faz sentido elas irem de preto ou amarelo. Para mim, faria sentido irem de preto. PARA MIM. Isso não me dá o direito de insultar quem vai de outra cor. As pessoas são livres de abraçarem as causas que querem e utilizarem as formas de protesto que melhor entendem.

 

Gostei desta forma de manifesto contra o assédio e abuso sexual. É indiscutível a força que a mancha de cor negra teve. Apaixonada por preto, claro que também gostei de alguns vestidos mas isso é irrelevante para o tema.

 

O que não é irrelevante é que as pessoas percebam, de uma vez por todas, que podem condenar o assédio e abuso sexual mas não serem a favor desta forma de protesto. Ou pode, simplesmente, acontecer não lhes apetecer ir de preto.

 

E legítimo e é de respeitar. 

 

Mais tolerância, por favor.

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