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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Dom | 02.03.14

A pressa do final.

Catarina Duarte

Corro atrás dele com a eterna ilusão de que o “cheguei” fica ao virar da esquina.

Abraçada à pressa com que normalmente me acompanha, esqueço-me sempre que o caminho se faz caminhando, que o rápido é inimigo do bom e, mais inimigo ainda, do óptimo.

Concluo que a afluência para o dito “alcancei” se faz por caminhos, mais a atirar para as ruelas e becos sem saída, (onde a sorte, aqui mais do que em qualquer outro lado, é amiga), do que, propriamente, por estradas nacionais, ou tão-pouco, vias rápidas.

Ando muitas vezes com vontade de correr, com o forte impulso de ultrapassar os detalhes e preliminares sem interesse, enfiar-me num comboio só de ida, cuja estação de destino só pode ter a tabuleta de “bom final”.

A minha vida é repleta por fins. Não pelo sentido da perda, mas mais por não ser dada aos “meios”. Gosto mais de saborear um bom final, do que a pacatez do caminho.

Sou incapaz de querer saber o que me espera, mas anseio que passem rápido todos os intervalos, tal é a minha cusquice em saber como acaba.

O caminho faz-se caminhando e, enquando não me ensino a apreciar os óptimos presságios das calhas por onde se trilha a minha vida, anseio pelos meus finais, cada vez mais próximos.