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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 01.08.17

A vida em palavras-chave.

CD

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Numa apresentação a que assisti recentemente referiu-se que uma grande parte do nosso mundo gira em torno das palavras-chave: as do alarme, a do telemóvel, do computador, do facebook, das mil contas de e-mails, das trezentas mil aplicações que temos e que achamos que já não conseguimos viver sem, as dos bancos, das finanças, da segurança social, dos sistemas empresariais, dos multibancos, aquelas que servem para confirmar transações, para confirmar registos, para fazer registos, entre muitas, muitas, muitas outras situações.

 

Ficava mesmo muito feliz se se pudesse usar sempre a mesma: espetava com um 1234 em todo o lado e resolvia o assunto. Mas não, aparentemente, é uma palavra-chave “fraca”, aparentemente tem que ter uma letra, uma maiúscula e, pelo menos, 6 caracteres para se considerar “forte” e eu, que gosto de me imaginar uma pessoa forte, envergonho-me perante mim própria, por ter criado uma palavra-chave fraca e lá vou eu refazer o que primeiramente elaborei.

 

Depois, quando passa um ano sempre com a mesma palavra-chave “forte”, lá vem o lembrete a dizer que, por questões de segurança, temos que voltar a mudar. E lá vou eu, novamente, repensar uma palavra-chave “forte”, mais uma para incluir à lista de milhões de palavras-chave já por mim criadas.

 

Para mim, porém, o ponto alto (e mais deprimente) na construção de um registo, após termos criado um utilizador, uma palavra-chave, após termos dito quantos anos temos, o nosso número de calçado, a nossa cor preferida, o nosso livro preferido, o nosso animal preferido, que somos casados, após termos colocado toda a nossa informação mais pessoal e intransmissível, é quando nos perguntam: és um robot?

 

Juro que a primeira vez que vi esta pergunta, com um “quiz” de imagens para identificar aquelas que tinham placas de rua, achei que era para os apanhados.

 

Não, eu não sou um robot - ainda tentei escrever (mas não havia um sítio disponível para tal).

 

Não estou preparada para que questionem a minha inteligência de forma tão básica e crua - não, eu juro mesmo que não sou um robot.

 

Mais preparada estou para reconhecer a fragilidade que há em mim e a tendência para arredondar, as palavras-chave, com um 1234. Para isso, a partir de agora, podem mesmo contar comigo.

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