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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 20.07.18

As expectativas estragam tudo.

CD

Há relações que têm tudo para fracassar. Porque ela gosta de caracóis e ele não os pode nem ver, ou porque ele é doido por corridas e ela não se levanta nem para ir buscar o comando da televisão, ou, ainda, porque eles pertencem a pontos diferentes do país e, por consequência, ele gosta de neve e ela de sol, porque, claro, ele é do norte e ela do Algarve.

 

Depois, há relações que, assim que as apanhamos, dizemos que têm tudo para fluir. Porque ambos gostam de rock, porque ambos gostam de natas na carbonara (apesar de toda a gente saber que a carbonara não leva natas) e porque ambos preferem treinar cardio a musculação.

 

Há um dia, vinte anos depois de se conhecerem, em que os primeiros ainda continuam juntos; há um dia, dois anos depois de se conhecerem, em que os segundos se matam. Matar é uma força de expressão, eles arruínam-se e destroem-se e, claro, acabam por morrer.

 

Todo o empenho e dedicação que os segundos, aqueles que tinham tudo para fluir, depositaram na relação, foi perto de zero. Estavam confortáveis. Afinal, tinham tudo para dar certo.

 

Os primeiros, aqueles que tinham o futuro traçado nas bocas dos maldizentes costumeiros, assim que começaram, não se encostaram, nunca se encostaram.

 

Não há regras. Tudo é empenho e dedicação. E poucas expectativas.

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