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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Seg | 15.01.18

As quotas são uma forma de discriminação.

CD

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Há já mesmo muito tempo que queria lançar aqui o tema das “quotas”. O comentário, da Rita Ferro Rodrigues, direccionado à escolha feita pela RTP das quatro apresentadoras que vão apresentar a Eurovisão, foi o motivo que precisava para lançar o tema.

 

Aqui está o comentário, da Rita Ferro Rodrigues, lançado no twitter:

"Vejamos: 2017 foram só homens a apresentar a final da Eurovisão, 2018 só mulheres. Nada a apontar. Grave é o facto de ambos os painéis serem compostos apenas por pessoas brancas. Por tudo o que isto significa ao nível das oportunidades e da representatividade. Falamos sobre isso?”

 

Gostava de fazer aqui um parênteses antes de entrar no tema das “quotas”:

 

Apesar de não conhecer pessoalmente a Rita Ferro Rodrigues, aquilo que passa nas redes e na televisão, não me agrada particularmente e, consequentemente, por ela não nutro uma grande simpatia. Obviamente, que isto é uma opinião minha, que em nada impactaria num eventual reconhecimento relativo a algo que ela, na minha perspectiva, fizesse bem. A Rita tem, em mãos, uma causa nobre pois, para quem não conhece, é a fundadora de uma plataforma feminista, de seu nome CAPAZES, cujo propósito é, em teoria, correr atrás da igualdade dos direitos e oportunidades entre os géneros. Vou mais longe: uma causa nobre, necessária e urgente! Ainda há muito trabalho a fazer neste caminho. Nisto, julgo eu, estamos todos de acordo. Sucede que, a Rita, ocasionalmente, lança uma polémica, através de comentários cujo objectivo, a meu ver, é misturar o essencial ao acessório. Foi ela que, por exemplo, lançou a bomba dos livros da Porto Editora: uma guerra sem sentido como, aliás, ficou provado mais tarde.

 

O problema quando se mistura muita informação, essencial e acessória, é que, às tantas, as pessoas deixam de ver o essencial, perdem-se na luta que inicialmente travaram, esquecem-se dos pontos importantes, baralham-se na confusão e começam a enrolar-se no acessório, transformando tudo numa salganhada que não tem descrição. Já ninguém sabe sobre o que está a falar nem qual a luta prioritária.

 

Ela tem, claro, todo o direito em expressar-se e de passar cá para fora todas as suas inquietudes. Na minha perspectiva, julgo apenas que podia estar mais focada na sua luta feminista. Penso que ganhávamos todos mais com isso.

 

Ora, o tema que a Rita lançou, apesar da salada russa, toca no tema "quotas" e isso é de valor.

 

Basicamente, interpreto eu, ela referiu que as apresentadoras são boas e tal mas que, bom, devíamos ser mais inclusivos no que toca aos tons da pele.

 

É aqui que discordamos.

 

Não acho que alguém tenha que ser excluído por ser negro mas também não me parece bem que alguém seja recrutado apenas por ser negro.

 

Todas aquelas apresentadoras, na minha opinião, são boas apresentadoras (desconheço apenas a Daniela Ruah enquanto apresentadora, mas até compreendo a sua escolha atendendo ao facto de ela ser uma figura com reconhecimento internacional e fluente em inglês). Diria que, estas quatro apresentadoras, são o crème de la crème da apresentação portuguesa.

 

Eu não quero viver num país em que a escolha seja feita com base em critérios que não seja unicamente o do profissionalismo. Não quero viver num país em que a escolha é feita para cobrir quotas: 25% brancos, 25% negros, 25% chineses, 25% indianos, onde, dos 100%, 30% são homens heterossexuais, 30% mulheres heterossexuais e 30% pessoas homossexuais e 10% bissexuais.

 

Mas o que é isto? É esta a sociedade que pretendemos construir? Onde, às tantas, estamos a contratar com base em critérios como a cor da pele ou a orientação sexual só porque não queremos ser multados?

 

Sou contra as quotas porque são uma forma de discriminação.

 

Acho que é importante debater-se este tema e, desta forma, não considero o comentário da Rita irritante ou de quem não tem mais nada que fazer. Só o acho descontextualizado atendendo ao facto que ela tem um propósito grande para abraçar.

 

A minha sugestão é que ela não misture as histórias e que se foque no feminismo de forma séria e direccionada, caso contrário, inevitavelmente, acaba por misturar o acessório com o essencial e está tudo estragado.

 

Qual a vossa opinião?

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