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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 29.11.16

Chás e tagines.

CD

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Não me choca a diferença cultural. Não olho com desdém para hábitos diferentes dos meus nem, tão-pouco, com superioridade por viver confortavelmente num país desenvolvido. Como é óbvio, tenho como certo que é no aglutinar das diferenças que nos vamos tornando pessoas mais completas e é exactamente essa a magia que me leva a viajar – se quisesse ver pastéis de natas e Torres de Belém não saia da minha Lisboa.

A diferença cultural pauta-se pela distinção clara existente nos costumes, nas formas de ocuparmos os nossos dias, no modo com que olhamos para os longos minutos que perfazem uma hora.

Ganhamos mesmo muito mundo quando saímos deste rectângulo – mas ganhamos mais, muito mais do que mundo. Ganhamos personalidade, ganhamos compreensão, ganhamos estômago, ganhamos força, ganhamos consciência do que não temos e, mais importante, damos valor ao que temos, ao que guardamos como garantido. 

Mas quando li esta notícia, fiquei chocada. Bolas, é inacreditável como é que ainda se aceitam situações como esta. Por muitas diferenças que existam, isto é passar qualquer tipo de limite. Em Marrocos, não me chocam os souks intermináveis, escurecidos e sempre a regatear. Não me chocam os chás, as tagines, as laranjas ou o olho para o negócio. Quero as nossas diferenças visíveis. Quero que as suas formas de agir se mantenham intactas, singulares, únicas. 

Somos, naturalmente, um subproduto da nossa sociedade onde estamos inseridos, somos a aquisição acumulativa de gerações e costumes, de hábitos adquiridos, de personalidade definida.

Mas esta notícia, bolas, chocou-me. Relembrou-me que, por muito open mind que uma pessoa seja, ainda há diferenças claras e graves com as quais não se pode compactuar.

Esta realidade é a prova que a violência está infiltrada, de forma profunda, nesta sociedade e não está assim tão bem camuflada como a maquilhagem está a querer mostrar. Está visível para quem quiser ver. É real. Existe. Infelizmente, existe. Pertence. Pertence-nos.

 

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