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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Dom | 06.03.16

Dançar. Bailar. Ballet.

CD

Dançar.jpg

No primeiro acto, a música começou acelerada, em batidas sistemáticas e ordenadas mas, acima de tudo, violentas. Faziam-se acompanhar pelo gargalhar do meu coração assustado. Depois suavizou, a música fluiu leve e ligeira e acompanhou a passada esguia das pontas da bailarina.

Não existiam tutus cor-de-rosa, nem coques redondos no alto da cabeça. A tez não era pálida e os figurinos não eram colados ao corpo. Era tudo ao lado quando comparado com aquilo a que chamamos convencional.

Ali fiquei, durante menos de uma hora, afunilada naquela sala de espectáculos de aspecto moderno, cujas cadeiras eram mais desconfortáveis do que pareciam, a ondular o meu pensamento, embriagada pelo suave embalar da coreografia graciosa.

Talvez pela leveza que nunca terei, sempre tive um certo fascínio pelo ballet. Pedi para sair do ballet ainda nova – cujo jeito, vamos assumir, era perto de zero - mas, nova também, a paixão por ele cresceu.

Não existiam tutus cor-de-rosa, nem coques redondos no alto da cabeça. A tez não era pálida e os figurinos não eram colados ao corpo. A fluidez do movimento não precisa do apetrecho do hábito. Precisa de movimentos airosos, marcados por solidez técnica, mesmo quando a música aleija e maltrata. Não precisa de tutus, nem de coques, nem de tez pálida, nem de figurinos adelgaçantes. Precisa só e apenas de presença e de amor pela dança.