Duas fatias de pão de centeio com cereais.
As duas fatias do pão de centeio com cereais eram comidas sempre frescas.
Ia à pastelaria e pedia um pedaço de pão e, depois do pedido, ordenava que ele devia ser cortado em duas fatias iguais. E o filme era sempre o mesmo: os empregados raramente acertavam no tamanho correto do pão que lhes permitia cortar as duas fatias com a mesma espessura. Depois, claro que era sempre para embrulhar e sempre em papel pardo pois detestava plásticos.
Se podia comprar um pão inteiro, fatiar, congelar e descongelar as duas fatias todos os dias? É uma das perguntas que não ficam.
O rímel sujava a parte inferior do olho, onde já se apanha aquela pele fina, e solidificava e tornava-se em bolinhas pretas que dali não saiam nem por nada. No dia seguinte, reforçava-o e as bolinhas pretas eram cada vez mais, quantos mais eram os dias que existiam e que avançavam.
Ninguém se lembra do seu gosto pelo pão fresco, pelas duas fatias que todos os dias comia ao pequeno-almoço, nem sequer que detestava plásticos. Algumas pessoas recordam o seu rímel solidificado em torno dos olhos, mais na parte inferior do olho, onde já se apanha aquela pele fina, porque é visível, porque é físico.
Não deixamos mais do que finas recordações. Os nossos hábitos, esses, fogem. Nunca mais ninguém se lembrará deles.
