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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 25.09.18

É capaz de ser mais difícil chorar as pessoas em vida.

CD

Podemos negar, podemos fugir e até nos podemos esconder mas acabamos todos por estar bastante habituados a este choro e a este pranto e a esta mixórdia de frio e drama quando se choca de frente com a morte de alguém que nos é especial.

 

Difícil, difícil é aquilo que ninguém fala, como se omitisse deliberadamente a sua existência. Difícil, difícil é o que ninguém partilha como se tivesse medo de ser o único a assim sentir, quando este "sentir" é tão profundo (é difícil, neste mundo, sentir de forma profunda). Difícil, difícil é quando somos obrigados, pelo luto da ausência, a fazer o luto em vida.

 

Disso ninguém fala, como se estes sentimentos, estranhos e tímidos, fossem algo demasiado pessoal e demasiado intransmissível. Não sei. Parece-me haver medo na partilha. Nisso, os livros ajudam-nos a ver que somos todos o reflexo uns dos outros. E, especialmente, que nada é tão estranho que o outro também não possa sentir.

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