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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 10.02.17

É mesmo por aqui que queremos ir?

CD

Sinto, no geral, a sociedade a contrariar a tendência da dependência das redes. Mas, de vez enquanto, apanho choques de realidade. Ontem, parei numa passadeira para deixar, uma miúda, passar. Antes de parar, não reparei muito nela mas, depois, quando ela não se atravessou à minha frente no momento em que o devia ter feito, espequei-me a avaliar a dita. Era absolutamente normal. Porém, - reparei - a roupa era pouca para esta altura do ano, com clara compensação no batom escuro que usava. O que mais me chamou a atenção nem foi o kit escolhido para um dia de inverno, foi mais a razão pela qual ela não passou a passadeira que se prostrava à sua frente: a miúda, com pouca roupa para esta altura do ano e com demasiado batom para o meu gosto conservador, estava parada na berma da estrada, a fazer poses dengosas, à frente de um telemóvel, no meio da rua - língua de fora para cá, beijinho para lá, pernas enroladas, aperto no peito, mais uma língua de fora, mais um beijinho, num seguimento difícil de acompanhar mas que eu observada embasbacada – sempre (sempre!) com um telemóvel apontado a ela. Uns segundos depois, lá atravessou a rua, sem nunca olhar para os carros, sempre focada no telemóvel que trazia dois palmos acima da cabeça, enquanto vestia também - para além da pouca roupa e do batom exagerado - trejeitos sexys e poses empinadas.

Eu, depois de levar duas buzinadelas, lá acordei e segui com a minha vida.

De facto, a realidade centra-se, cada vez mais, naquele retângulo pequeno com que andamos todos os dias que, vamos combinar, de realidade tem muito pouco.

A minha dúvida mantém-se: é mesmo por aqui que queremos ir?

 

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