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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 03.11.17

É possível ter saudades das coisas que não gostamos?

CD

Não me recordo como é ter frio, do que é que acontece quando é Inverno por estas bandas, não me recordo do que é deitar-me com os pés gelados, do que é andar encasacada e com cachecóis grandes, de quadrados largos, enrolados ao pescoço, nem do que é ligar o quente do meu carro para me aquecer toda pela manhã. Honestamente, não me lembro como são as manhãs, nem as tardes e, prefiro nem dizer, muito menos as noites.

 

Não me lembro, mas sei que não gosto.

 

Apesar de tudo, apesar daquela frase que nos dizem (quando gostamos muito de algo) que só se dá valor quando se perde, apesar disso mesmo, sabendo eu que não gosto de me deitar com os pés gelados, de andar encasacada, com cachecóis grandes, de quadrados largos, enrolados ao pescoço, apesar de não me lembrar de como é ligar o quente no carro para me aquecer pela manha, apesar disso, tenho saudades do frio da minha cidade.

 

Não quero verbalizar porque, ao fazê-lo, estou a dar peso e força, mas, provavelmente, é o meu corpo a reconhecer, pela saudade, pela saudade de algo que, assumidamente, não gosto, que é no equilíbrio das quatro estações, que tudo faz sentido.