Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 27.07.17

E sobre o Tinder?

CD

tinder.png

 

Certa vez, uma amiga minha que vive nos States, disse-me que lá era normalíssimo a malta estar inscrita em sites do género dos do Tinder.

 

Na altura, lembro-me de ter comentado com o Ricardo que havia uma grande lacuna, a esse nível, no mercado português (sempre a pensar em negócios, eu sei). O nosso país, sendo um de brandos costumes, ainda teria que dar um grande passo ao nível da mentalidade para aceitar uma app do género.

 

A chegada do Tinder foi, porém, mais rápida do que aquilo que pensei.

 

Quando o Tinder surgiu (ou, entrou com força, em Portugal), no início, eu, rapariga um pouco conservadora a viver num país conservador, tinha muitas reticências quanto a sua entrada do nosso mercado. Uma coisa era pensar numa app do género de forma genérica, identificar aqui uma falha no mercado, outra, bem diferente, era concluir que, bom, era uma realidade demasiado “fora” que se estava a impor por estas bandas.

 

Com o tempo, foi-se verificando que, afinal, este país à beira-mar plantado, de país recatado já teve mais, e algumas pessoas que até conhecia bastante bem foram, entretanto, parar ao Tinder.

 

Fiquei naquele limbo, entre o que achava eticamente correto e as vantagens práticas da aplicação. Hoje tenho, sem dúvida, uma opinião, muito mais consolidada.

 

Para já, o que é que isto tem a ver com eticamente correto? O Tinder é um local. Virtual, é certo, mas não passa de um local, como podia ser um restaurante, um museu ou uma sala de congressos. O propósito da sua existência pode não ser o mesmo do de um restaurante, de um museu ou o de uma sala de congressos mas, na sua génese, não passa de um local.

 

Ora, eu sou casada e estou com a mesma pessoa há quase dez anos. Como calculam, recentemente, não me coloquei na posição de solteira mas sei que, quem o é na minha idade, não tem a vida facilitada, no que toca a arranjar um partner.

 

Isto sucede porque os grupos estão formados, os casais também mas, mais importante, os ciclos por onde andamos acabam por ser sempre os mesmos. Quanto atingimos a marca dos trinta, deambulamos, basicamente entre casa, trabalho, amigos de sempre e ginásio. Não temos, portanto, muita facilidade em conhecer pessoas novas porque os meios por onde nos movemos acabam por ser limitados.

 

Desta forma, de um modo totalmente direto e descomplexado, tenho a certeza que o Tinder, ainda que, bom, nem sempre tenha intenções de um casamento para sempre (nem é isso, na maior parte das vezes, que se pretende), pode (e deve) ser um meio para as pessoas se conhecerem e, claro, sairem dos círculos de todos os dias.

 

Qual a vossa opinião?

3 comentários

Comentar post