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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 22.02.18

Entrada de animais de estimação em restaurantes? Tem muito que se lhe diga.

CD

 

 

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Uma boa parte das pessoas não consegue perceber que tem que apanhar o cocó do seu cão do chão e colocá-lo num lixo, não entende que é obrigatório – obrigatório! – que eles andem de trela e acha que tem o direito de impor o seu animal, só porque “ele não faz mal”, a quem não gosta deles.

 

Os passeios de Lisboa estão um nojo, uma amiga minha foi mordida, tal como o seu cão, porque um outro cão andava sem trela e engalfinhou-se no cão dela (que, só por acaso, estava com trela) e um miúdo que eu conheço apanhou um trauma dos diabos porque os pais insistiam para ele dar “uma festinha ao Tobias que não fazia mal nenhum” e a criança, a medo, lá meteu a mãozinha e o Tobias, que não fazia mal nenhum, rosnou-lhe e só não lhe tirou uma orelha porque o pai o levantou a tempo.

 

Aparentemente, os animais de companhia vão poder entrar em restaurantes e, como é habitual, o primeiro item da lista, não foi sequer considerado nesta equação porque, neste país, vai-se diretamente para os fins, sem passar pelos meios, tal é a pressa em se dobrarem perante algumas pressões políticas: primeiro – e sempre – educação.

 

Na minha perspetiva, deve-se, logo na estaca zero, educar os animais de estimação (e, aproveitando o embalo, educar também alguns dos seus donos) e depois - só depois - é que estão criadas as condições para autorizarem a entrada de animais em restaurantes. Esta troca de prioridades é um comportamento muito típico de quem legisla, infelizmente.

 

Conhecia um cão que não podia ver comida em cima de uma mesa: era vê-lo a voar para abocanhar os lombos tirados, com carinho, para o jantar. Permitir que, cães deste género, entrem em restaurantes e apelar ao bom senso dos seus donos, para não os levarem, caso não seja educados convenientemente, é confiar na sorte.

 

Como sempre, inverte-se a ordem das coisas. Os animais domésticos, de domesticados têm muito pouco, muitos dos seus donos desconhecem o conceito de civismo, não se respeita quem não gosta de animais ou até quem gosta de animais mas não gosta de levar com os dos outros (eu!), lança-se uma lei e reza-se para que não dê asneira.

 

Cá estaremos para ver.

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