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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 18.01.18

Escrever não é apenas escrever.

CD

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O sucesso é muito relativo. É tão relativo que, num grupo de 10 pessoas, se lhes fosse perguntado o que é que, para cada uma delas, o sucesso representaria, de certeza que dali sairiam 10 definições de sucesso, totalmente diferentes, totalmente válidas.

 

Para quem escreve, arrisco-me a dizer que, possivelmente, o sucesso é ser lido. Ser lido por muitas pessoas. Julgo que todos os que escrevem não o fazem apenas para guardar, em si, os recortes das memórias nas palavras debitadas. Não! Quem escreve e publica, num blog ou um livro, tem, como ambição, chegar a mais e mais pessoas.

 

Mas, aqui é que é o ponto, escrever dá trabalho. Porque escrever não é apenas escrever. Escreve é ver, (mas é mais do que isso) escrever é observar e depois apontar e imaginar e sentir, é, muitas vezes, sentir o que se está a imaginar, é transformar a imagem e as emoções em palavras, em frases, é lê-las e odiar tudo o que se escreveu e é, também, querer desistir, querer desistir muitas vezes mesmo, é rescrever tudo, é salvar, e desligar e é, no dia seguinte, reler e não gostar e voltar a escrever e perceber que ainda não está perfeito.

 

Por isso, pela complexidade que a escrita em si encerra, há muitas desistências pelo caminho porque escrever suga-nos até ao tutano.

 

As pessoas iludem-se e desistem porque, no geral, as pessoas são seduzidas por uma ideia de sucesso que veem acontecer a quem se sacrifica diariamente em nome da escrita. Só lhes chega a ponta do iceberg, o produto final, aquele que é consumido, na maior parte das vezes, em 5 minutos, quando se está na sanita ou a fazer aquele scroll no facebook e esbarramos num texto cujo título até é aliciante.

 

Este sucesso, ou este reconhecimento, este texto escrito por nós, tem incontáveis horas de trabalho, muitas delas tiradas à família, aos fins-de-semana de praia ou de filmes, às noite bem dormidas e ao sono descansado.

 

Quem escreve e trabalha e vive tudo isto de forma séria, sabe bem do que é que eu estou a falar. E quem escreve apenas, não tendo outro trabalho, também sabe, porque escrever apenas nunca é escrever apenas: é um trabalho a vinte e quatro horas.

 

Procurem a vossa singularidade e trabalhem. Trabalhem muito. Para o sucesso poder fazer todo o barulho que ambicionam.

 

Os outros estarão cá para vos ler.

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