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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 29.05.18

Eutanásia: foi chumbada a falta de debate.

CD

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Das coisas que mais me entristece em Portugal é a facilidade com que as pessoas têm opinião sobre temas complexos. Fazem-nos parece simples, leves e levianos quando, na verdade, são profundos, pesados e difíceis.

 

O Aborto e a Eutanásia, a título de exemplo, são dos temas mais fracturantes de uma sociedade (lembro-me de, quando se discutiu a despenalização do aborto, a sociedade estar completamente partida) e, por essa razão, é recomendável que sejam debatidos até à exaustão.

 

No caso concreto da Eutanásia, não estando este tema no pacote de medidas de nenhum partido, não era suposto que tivesse tido mais debate público? Não estou a falar da existência de um referendo - apesar de não o considerar, neste caso, nada despropositado, dado que obrigaria a haver a mínima discussão sobre o tema - mas apenas de mais conversas, mais dados, mais opiniões, mais perspectivas?

 

E não, argumentos do género “ser-se contra a eutanásia é ser-se antiquado e viver na idade média”, não servem para o debate. Ou, por outra, servir até servem, se o quisermos colocar ao nível dos assuntos simples, leves e levianos. O que não me parece que seja o caso.

 

Há, neste caso concreto, algumas coisas a ter em conta como, por exemplo, averiguar até que ponto se pode pedir a um médico que avance com uma eutanásia ou até que ponto os médicos aceitariam uma situação destas. Esta, recordo-me, foi uma das questões levantadas e esmiuçadas na altura do debate da despenalização do aborto. 

 

Parece-me igualmente relevante olhar para os exemplos de outros países onde, eventualmente, as coisas possam não ter corrido tão bem e, talvez, afinar a proposta de lei, tornando-a concreta e pouco ou nada dúbia. 

 

No fundo, ler, ouvir, discutir, debater e dar credibilidade a um tema íntimo e pessoal, lançando-o com seriedade e importância  porque, contas feitas, é um tema que fala sobre nós e sobre nós numa altura em que já pouco temos voz.