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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 10.11.16

Há dias em que não me atraso.

CD

Há dias em que não me atraso.

 

Nestes dias, concluo tudo a que me proponho e, pelo meio, ainda invento.

Nestes dias, não corro e mantenho-me firme e decidida em cada tarefa que executo. São dias, estes em que não me atraso, em que tudo flui  e nada resvala.

 

Há dias em que não me atraso.

 

Sem nenhuma razão aparente: levanto-me à mesma hora de sempre, percorro todos os caminhos que habitualmente sigo. Arrasto-me em vez de correr mas, no final, saio de casa mais cedo, chego ao escritório mais cedo, tenho tempo (T-E-M-P-O) para me demorar nas coisas que, de facto, gosto: tempo para ler, tempo para escrever, tempo para estar.

 

Há dias em que não me atraso.

 

É impressionante: nestes dias, os semáforos ajudam, mantêm-se abertos quando passo, fazem correr o trânsito de forma inédita – nestes dias, por vezes, nem há trânsito. Tudo se encaminha ordeiramente.

 

Há dias em que não me atraso.

 

São dias que se guiam por razões que não compreendo. Mas também não faço uma questão desmedida para as compreender. No final, gosto apenas da sensação de ter ultrapassado o tempo. Ter guinado, de forma altiva e desinteressada, para a esquerda e seguido, estrada fora, sem atrasos ou paragens bruscas, o caminho de todos os dias.

 

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