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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Seg | 25.09.17

Há profissões e profissões, diziam eles.

CD

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Ao longo da nossa vida (feliz por constatar que esta tendência não está a evoluir) fomos ouvindo que Arquitectura, Engenharia, Medicina e Advocacia é que eram profissões que “sim, senhora”.

 

A minha geração cresceu, a título de exemplo, a não considerar Cozinheiro ou Fotógrafo como uma opção, na altura de escolher um curso. Até porque, verdade seja dita, onde é que Cozinheiro ou Fotógrafo se enquadrava nos quatro agrupamento que tínhamos à escolha?

 

O mesmo acontecia com alguém que quisesse ser pintor: o mais certo era ser recambiado para Arquitectura, por “influência” dos pais, pois sempre era mais sexy dizer que o filho tinha um curso superior do que dizer que passava os dias, fechado numa sala, a lançar óleo para uma tela em branco.

 

Claro que o tempo veio confirmar que há oportunidades em todas as áreas e a prova disso é que hoje temos Cozinheiros com excelentes restaurantes, com reconhecimento à escala planetária, com inúmeros negócios que surgiram devido a um conjunto de factores chave (sendo que, o início da era Lisboa-Cidade-Cosmopolita, onde tudo surge e tudo nasce cheio de glamour, foi, claramente, um deles).

 

Difícil, ou mais complicado, é arranjar lugares para os arquitectos que as faculdades cospem todos os anos e que, nos dias de hoje, têm que tirar cursos complementares para conseguirem fazer algo minimamente na área (por exemplo, avaliação de imóveis, certificação energética, entre outros).

 

Não sabendo como me vou comportar na altura da escolha de um curso por um futuro rebento meu, quando o medo, de um potencial desemprego, nos tolda o raciocínio, consigo dizer que, possivelmente, o conselho que darei é que deve seguir as suas valências inatas, aquelas que surgem, cravadas na nossa pele, como um sinal de nascença. Este parece-me sempre um belo princípio.

 

[Claro que se as mesmas não forem visíveis... (isso fica para outro texto)]

 

Este texto surgiu no seguimento de um outro que li há uns dias (podem ler aqui), onde a autora do mesmo falava nas profissões que nascem e das profissões que morrem, sem nós darmos por isso.

 

Há, de facto, algo que nunca analisamos, na altura da escolha de um curso, que é a evolução da sociedade. Cingimo-nos a um horizonte temporal estipulado por nós e que, normalmente, é de curto prazo – é o horizonte temporal que nos permite dizer, na altura em que finalizamos uma licenciatura: esse curso tem saída.

 

Num contexto de constante mudança, como é este o mundo onde vivemos, é difícil mas temos que nos esforçar para analisar as opções a longo prazo sendo que, a primeira premissa, no mercado de trabalho de hoje é: não há longo prazo nas profissões, no mundo como ele está agora.

 

Estranho, não é?

 

Ora, neste texto que vos falei há pouco, a Filipa dá alguns exemplos de profissões que surgiram com o passar dos anos, tais como, especialista em marketing digital, operador de drone ou blogger. É incrível pensar que, há meia de anos, ninguém sabia o que estas profissões significavam e que seriam, possível, as "profissões do futuro".

 

Hoje pergunto-vos apenas:

 

Se tivessem dito, quando tinham 18 anos, que queriam ser youtubers, algo que ainda nem sequer existia na altura, qual teria sido a reação dos vossos encarregados de educação?

 

O mundo gira e gira e gira, sempre a grande velocidade: é bom que nos habituemos a isso.

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