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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 12.10.16

Inspiração.

CD

Todos temos o nosso quê de curiosidade sobre algo. De forma, mais ou menos, assumida - de forma, mais ou menos, apurada - todos temos algum tipo de intromissão sobre alguma vida que não a nossa.

Às vezes, dou por mim (talvez por escrever e precisar de inspiração constante) à pesca de sinais, de outras verdades. Observo, então, as pessoas, o seu comportamento e a dou-lhes vida: imagino como ocupam os seus dias, as casas onde habitam, quantos filhos têm e o que fazem, se os têm sequer é, muitas vezes, a questão que me surge, questiono-me também sobre os seus hábitos, sobre aquelas rotinas inquebráveis, tão suas como as minhas são minhas, sobre os seus pavores profundos, os seus horrores e terrores e, também, sobre as suas misérias.

Tudo para constituir uma personagem sólida na minha cabeça – completamente inventada, na maior parte das vezes - descrente da realidade que nela existe.

Dois segundos depois, se não escrever, já não me lembro do que criei. Porém, não deixa de ser um exercício simpático de se fazer, uma forma de ocupar o tempo quando, por exemplo, se espera.

Os sinais que busco levam-me à caracterização e, talvez por isso, um dos meus locais preferidos para imaginar seja o supermercado.

Segura do grande grau de incerteza que dali poderá surgir, penso, muitas vezes: mostra-me o que compras, dir-te-ei quem és.

E com isso, apenas com a amostra dos produtos que vejo correr no tapete, completamente crente da amplitude do meu engano (não importa), invento uma pessoa, em toda a sua globalidade, que à minha frente se estende e se fica.

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