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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 01.12.17

Intimidade, privacidade e limites.

Catarina Duarte

 

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Estou sempre a dizer que isto da partilha da privacidade é uma questão de limites.

 

Ou, de início, temos muito bem definido aquilo que queremos partilhar (ou aquilo que não queremos partilhar) ou, então, está tudo estragado: hoje deixamos a janela entreaberta, amanhã abrimo-la mais um bocadinho, depois mais um bocadinho e, depois, quando damos por nós, já partilhámos informação que, vá, nunca considerámos partilhar no primeiro momento.

 

É, mais ou menos, como estar numa relação: os limites devem ser, à partida, muito bem definidos para que, numa situação de stress (uma discussão, por exemplo), os mesmos nunca serem ultrapassados, caso contrário, é um galopar de afrontas, de acusações, de asneiras onde, claro, o resultado final é uma relação salpicada de pregos tais foram as ofensas proferidas.

 

Já por diversas vezes, neste mundo digital, algumas pessoas, após terem sido mães, colocaram um pezinho rechonchudo nas redes sociais porque, bom, não queriam mostrar a cara do bebé.

 

Depois do pezinho, veio a mãozinha, depois da mãozinha, veio o cocuruto e depois, claro, veio a cara. Não tinham, claramente, definido o grau de intimidade que queriam partilhar. E foram, às apalpadelas, ultrapassando limite atrás de limite.

 

Atenção: eu não tenho nada contra quem decide, no contexto da partilha que faz da sua vida, mostrar a cara do filho – os filhos estão visíveis quando os passeamos na rua (quando me refiro a “contexto de vida”, explico: da mesma forma que mostram as roupas, os livros, a casa, o carro, o marido e o cão, também mostram o filho porque, bom, faz parte da sua vida). No final do dia, atendendo ao facto de ainda não estar regulamentado, por lei, os tais limites (julgo eu), esta é uma decisão que cabe aos pais.

 

Bom, mas como em quase tudo na vida, há que imperar o bom senso. E se há situações em que digo “não dava esta exposição toda, mas, ok, não há mal nenhum – é, exatamente, a exposição a que a criança está sujeita se estiver a passear na rua”, depois há outras em que eu penso “isto é, claramente, demasiado”. E, claro, ganha toda uma nova proporção se for a troco de dinheiro. Desculpem, mas ganha.

 

Já por duas ou três vezes vi bloggers a colocarem imagens ou filmes dos filhos, nas redes sociais, a tomarem banho. Como se não bastasse, estas publicações tinham o patrocínio de marcas (as marcas estavam identificadas).

 

Incomodou-me mesmo.

 

Fotografias e filmes dos miúdos a tomarem banho é, na minha perspetiva, excessivo porque um banho é um momento íntimo, só nosso, como, desculpem a comparação, fazer xixi ou fazer cocó. Não é suposto estar partilhado numa rede com milhares de seguidores. Eu não gostaria. Vocês gostariam?

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