Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 22.04.16

Ir a tempo.

CD

ir a tempo.jpg

Dilatamos objectivos, protelamos aspirações. A altura não é a certa, temos mais que fazer, o bicho continua cá mas a confusão diária dos nossos dias, a futilidade dos nossos afazeres quotidianos, turva-nos a vista, ofusca-nos os verdadeiros quereres.

Muitas vezes ou, diria mesmo, demasiadas vezes, adiamos, adiamos, adiamos e, demasiadas vezes também, não vamos a tempo de concretizar o que, de facto, queremos. Tenho sempre a imagem de uma passadeira a acelerar, do corpo a galopar em cima dela, transpirado e esgotado e que, infelizmente, não consegue sair do sítio.

Não vou (não quero) dizer que adiamos sonhos – isso seria cair, com demasiada facilidade, em lugares comuns – mas não deixa de ser verdade.

Há umas semanas passei os olhos no título de uma notícia que dizia que uma senhora de 91 anos tinha conseguido terminar um doutoramento, que o tinha começado a escrever aos 58 anos, demorando, deste modo, mais do que 30 anos a concluí-lo.

Embora continue a considerar que não se devem retardar decisões fico sempre feliz com casos de concretização tardia de desejos. Passa-me a mensagem, na subtiliza da realização lenta dos sonhos dos outros, de que ainda vou a tempo.

E a sensação de “ir a tempo” é muito boa.

 

Instagram @catarina_lduarte

Facebook https://www.facebook.com/catarinaduartewords