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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 30.11.16

Lareira.

Catarina Duarte

A lareira estava forrada com tijolo firme: pintaram, e não foi ao acaso, os tijolos com tinta acetinada. Conferia-lhes um ar requintado.

Na sala, tudo combinava: os móveis nas proporções certas e as cores a fornecerem sentido e harmonia – estão na moda os brancos e os cinzentos, os ambientes clean e despegados.

Mas a lareira estava forrada. Impecavelmente forrada, é certo: mas forrada. Encostada a si, repousavam velas brancas, de estrutura grossa, possivelmente, para fornecer um ambiente mais aconchegante a quem por ali permanecia.

A lareira estava forrada – retiraram-lhe o fulgor e colocaram velas.

Não gosto de lareiras fechadas.

Entristece-me a existência de objectos cujo propósito lhes foi negado.

Tudo fazia sentido: os móveis estavam bem encaixados, disponham-se ordeiramente, as cores escolhidas eram refrescantes, os detalhes – notava-se - estavam cuidados.

 

Mas a lareira… a lareira conferia frieza à sala que, harmoniosamente decorada, não merecia este fim.