Lisboa Antiga - Cafélia.
É impossível não reparar numa das lojas mais antigas da Avenida de Roma.
Não ressalta pela grandeza, pelo espaço desafogado nem (muito menos) pela decoração moderna. Não sobressai por isso – pois são características que não possui – e ainda bem.
Salienta-se antes pelo aroma, o melhor dos nossos sentidos, aquele que nos remete para a nossa saudade, aquele que nos recorda o café moído na altura, aquele que nos lembra os caramelos coloridos, aquele que nos revive as geleias de fruta e também o cheiro singular dos rebuçados Dr. Bayard. A isto tudo, anexam-se as amêndoas de chocolate, os frutos secos e o impulso, para entrar, surge naturalmente. E isso é tudo.
Da forma como está, encontra-se aberta há 46 anos, sendo que há muitos mais, se tivermos me conta mudanças antigas da loja do n.º 55C desta movimentada avenida da cidade.
O atendimento, esse, é personalizado, dado com detalhe, paciência e amizade, aos clientes que por ali pairam há já longos anos.
Conversa-se sobre passagens pessoais, sobre a avó, sobre a mãe, sobre a filha, perguntas ligeiras e amáveis, resposta leves e sentidas.
Conversa-se também sobre “o mesmo do costume”, sobre o “pode moer que já cá venho buscar”. A forma de falar é familiar e cheirosa - como o café que por ali paira.
Aos novos clientes, a forma de receber, não varia: a simpatia corre nas veias dos donos, na mesma medida que as prateleiras se enchem de bules, chávenas, chás e bolachas.
Uma loja a recomendar a quem sente a necessidade de voltar às origens, onde esse regresso se faz embebido numa chávena de chá e acompanhado por biscoitos tradicionais.
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