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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 10.08.17

Lufada de ar fresco.

CD

Muitas das conversas que tenho, ao longo do dia, são um pouco complexas.

 

A verdade é que passo grande parte dos meus dias a decidir. Tomar decisões pode parecer uma ideia genericamente gira mas, na prática, desgasta bastante. Tenho a certeza que a necessidade tão grande que tenho em dormir advém do cansaço que adquiro ao longo do dia.

 

De vez enquando, acontece parar e dar por mim a ter conversas banais, onde não tenho que estar com muita atenção, onde ninguém exige uma decisão ou, tão-pouco, uma opinião. São conversas onde não ouço um “o que é que achas?”, muito menos um “qual julgas ser a melhor opção?”.

 

Há relativamente pouco tempo, consegui baixar as defesas e assistir a uma conversa que, de tão leve, me fez sentir francamente feliz.

 

Os diálogos eram simples e desenrolaram-se entre as pessoas que estavam comigo: eu era, neste caso, apenas espectadora e era-o de forma bonita, interessada mas absolutamente relaxada, sem qualquer pressão para intervir.

 

A conversa criou-se em torno das parecenças entre as mães, que falavam à minha frente, e os filhos destas, que brincavam ao nosso lado: o que é que tinham do pai, o que é que tinham da mãe e o que é que não tinham dos dois.

E riam-se e concordavam e olhavam-se e olhavam para os filhos e voltavam a rir.

 

E eu, bom, eu dei por mim a agradecer por ninguém me perguntar se eu achava se os olhos eram parecidos com os do pai (não eram) ou se o feitio era o da mãe (também não era) e absorvi esta conversa, leve, fresca e fofa, sem qualquer consequência grave caso alguma opinião não fosse a correta, e vi-a, à conversa, como uma lufada de ar fresco, como aquela brisa fresca e fina matinal, e deixei-me ficar, a ver e a analisar, mas sem nunca dizer as parecenças e diferenças entre os que à minha frente estavam.