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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 05.07.18

Madonna, juro-te que não é inveja.

CD

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Não, não se trata de inveja, não se trata de “uns terem e de outros não terem”, nem tão-pouco se trata de falta de noção hierárquica no que à escala de visibilidade, em Portugal e no mundo, diz respeito.

 

Todos sabemos que a Madonna é loira, que tem raízes pretas e que dá uns espetáculos de cair para o lado. Todos percebemos, porque não nascemos ontem, que a visibilidade que a Madonna dá a Portugal é boa, aliás, é óptima, para quem gosta de ver Lisboa inundada de turistas. Todos rejubilamos de alegria quando a Madonna fortifica a imagem do Benfica, do Benfica do nosso Eusébio, partilhando fotografias do clube no seu instagram.

 

Uns mais do que outros, essa é a verdade, estamos-lhe todos muito gratos por isto.

 

Trata-se, na minha modesta opinião, daquilo que li hoje no Delito de Opinião, num texto de Diogo Noivo, onde o mesmo utiliza a expressão “gente de primeira e de segunda perante o Estado (o Poder Local também é Estado)".

 

E este rótulo atribuido por quem devia defender os nossos interesses, dizendo “tu és gente de primeira e tu de segunda”, não é pelo facto de ela ser loira, de ter raízes pretas ou de dar espetáculos de cair para o lado. E não tem a ver também com o facto de ela dar boa visibilidade a Portugal ou ao meu Benfica.

 

Trata-se antes disto:

 

- Se eu quiser pagar os 720€ por mês para ter 15 estacionamentos, dão-me essa possibilidade?

- Porque é que só são atribuídos 3 dísticos de residente ao cidadão comum em Lisboa e à Madonna foram atribuídos 15 (quinze!!!) lugares de estacionamento?

 

E, por último:

 

- Se o objectivo é tirar os carros em Lisboa... porque é que não lhe dão desconto na Gira? (bem apanhado, Catarina!)

 

Eu, nascida e criada em Lisboa, com vida profissional e pessoal nestas quatro paredes (imaginem, ok?), se quisesse, se pudesse, se tivesse 15 viaturas para estacionar todos os dias, não me davam essa possibilidade. É aqui, aqui neste ponto, quando começamos a compartimentar as gentes como umas sendo de primeira e outras de segunda, que a porca torce o rabo.

 

E, não, não é inveja. É só, arrisco-me a dizer (e corrijam-me se estiver errada, por favor), completamente inconstitucional este compartimentar de cidadãos.