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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 18.10.17

Marcelo: o presidente dos afectos mas também das palavras duras.

Catarina Duarte

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Ontem à noite, assustada e revoltada pelos incidentes dos últimos dias, tive verdadeiro orgulho em nós.

Um orgulho que vai para além do patriotismo que vive agarrado ao fado, à saudade ou à luz de Lisboa, que ultrapassa Eça, Pessoa ou Camões ou que se cimenta para além das politiquices costumeiras e que coloca, de forma direta, os pontos nos “is”.

 

Ontem tive orgulho no país onde tive a sorte de nascer e no Presidente da República que lhe dá a cara, que dirigiu, inicialmente, um discurso humano e afectuoso, direcionado a todos os que perderam tudo (família, bens, poupanças de uma vida) mas também a todos os que, não tendo perdido algo quando comparado com o tudo, perderam as noites bem dormidas porque, aparentemente, nada está a salvo num país onde as sociedades “têm que ser proactivas”.

 

O nosso presidente mostrou-se, no discurso à Nação, aquilo que queremos que um presidente seja: sensível, humano, com dever de justiça, alguém que sente o mesmo que nós porque, contas feitas, é igual a nós. E foi isso que Marcelo conseguiu passar na primeira fase do discurso: ele é alguém que está connosco. E isso, enquanto portuguesa, tranquiliza-me.

 

Como se não bastasse, ainda fez algo que não estamos habituados a ver: pediu desculpa porque o Estado falhou uma vez que deixou de ser visto como garante de segurança e de estabilidade. Pedir desculpa, em muitos momentos, pode parecer um mero processo, um despacho para resolver uma qualquer crise mas aqui, nos olhos manchados de revolta, revestiu contornos de preocupação e de solidariedade. Era um ser humano que falava connosco.

 

A meio do discurso, o timbre e o olhar mudaram. Fez aquilo que já devia ter sido feito: empurrou a ministra para a porta de saída (que acabou por acontecer hoje de manhã) e fez um ultimato ao Governo.

 

No final, nem paninhos quentes, nem boa noite. Foi-se apenas embora deixando, a frieza da revolta, a pairar no ar.

 

Alguém, como nós, abandonava a sala.

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