#MeToo – personalidade do ano para a TIME

Ia começar este texto dizendo que foi muito corajoso a Time ter escolhido, para personalidade do ano, o movimento #MeToo.
Mas, bom, o acto de coragem não foi, exactamente, esse. O acto de coragem ocorreu quando inúmeras personalidades (e, posteriormente, inúmeros anónimos) tiveram a coragem de dizer, sem medo de recordar, os episódios de assédio e abuso sexual a que foram sujeitos.
Na música, na política, na moda, no cinema, um pouco por todo o lado e, especialmente, desde que exista uma relação de poder, o assédio tem tendência a acontecer porque, infelizmente, há uma posição de superioridade de uma parte em relação a outra.
Na minha perspectiva, a importância deste movimento reside, exactamente, aí: deu-se voz aos elos mais fracos. A partir daí: políticos demitiram-se, contratos foram cancelados, colaborações foram suspensas. O mundo girou a favor da verdade e os crimes estão a ser investigados.
É muito bom – é livre – saber que vivemos num mundo onde os actos de violência já não são assim tão calados. Podem ter sido silenciados algures no tempo mas, agora, a verdade surgiu.
Teve impacto e, por isso, considero que a personalidade do ano foi muito bem entregue pela Time.
Que tenhamos sempre a coragem de falar. Custe-nos o que custar.