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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 27.04.18

Muito mais do que a morte do Cimbalino e da Bica.

CD

Não é propriamente uma novidade que eu sou uma alma velha, num corpo, vá, já não muito novo.

 

Talvez também não fiquem surpreendidos se vos disser que sou uma pessoa bastante saudosista e que “saudade” é, na verdade, muito mais do que algo que sinto ocasionalmente: é mesmo uma das minhas palavras preferidas de sempre. Adoro a forma como remata nos nossos dentes o seu fim, num perfeito alinhamento do sentimento com a fonética.

 

O que talvez não saibam é que, muitas vezes, sinto saudades de coisas que, na verdade, não pertenceram à minha época.

 

Não me lembro de alguma vez algum amigo meu ter pedido um Cimbalino, em homenagem aos cafés tirados na máquina italiana La Cimbali ou de ter pedido uma Bica porque Beber Isto Com Açúcar era obrigatório.

 

Mas eram, ambas, palavras usadas com muita frequência e que hoje já mal se ouvem.

 

Acabamos por rematar tudo com um “café” e a coisa rola. Na parte que me diz respeito, tento dizer, na maior parte das vezes, “era uma bica, por favor”, primeiro, porque gosto de me por a jeito para a piada “era, já não é?” e, depois, porque perder a bica das nossas expressões, é algo para o qual ainda não estou preparada, mesmo que ela raramente tenha existido na época em que vivo.