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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 22.03.18

Mulheres opinativas não são bem-vindas.

CD

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Hoje estava a ouvir um podcast (já vos disse que estou viciada em podcasts e que, actualmente, são também a minha grande companhia nas viagens de carro?) e, a data altura, comentava-se o facto de as mulheres terem pouca expressão nos programas de debate. Que me lembre, assim de cabeça, fora a Clara Ferreira Alves, do painel do Eixo do Mal, eu não estou a ver mais nenhuma. Mas admito que possam haver mais.

 
Sim, ainda considero as quotas uma forma de descriminação mas não é disso que se trata este texto. É apenas uma constatação de que, de facto, a sociedade não está ainda preparada para ter mulheres a opinar (ou ainda não quer ter).

 

Há muitas razões para tal acontecer e, possivelmente, o facto de, durante muito tempo, as opiniões femininas terem sido consideradas como opiniões histéricas, de pessoas histéricas, não deve, de todo, ter ajudado na inclusão das mulheres em painéis de opinião. Adoro quando associam o histerismo às mulheres, parece que estou numa caverna e temos um homem grande e pojante a fazer sons graves e uma mulher vestida com roupa de peles de animal, a dar gritinhos esganiçados. E, depois, o homem sai para a caça e a mulher fica na caverna a tomar conta dos filhos e a falar, aos gritinhos, com as amigas das cavernas vizinhas.

 

Voltando ao tema: por um lado, o consumidor dos programas, que não está sensibilizado para ouvir mulheres, por outro, o lado da organização dos programas, que acha que o público quer é ouvir tipos de barba, podem ser algumas das razões que estão na génese desta desigualdade. Atenção: eu quero ouvir os tipos de barba. Mas, também, gostava – e não digo isto por ser mulher – de ouvir opiniões femininas. Só para dar outras perspectivas – e, sim, sei que, entre a população feminina, as opiniões também divergem muito, claro que sim.

 

Mas, voltando à vaca fria, porque é que será que, na generalidade dos casos, não queremos ouvir mulheres? Consideramo-las como fontes menores de informação? Achamo-las menos válidas? Será que o mundo tem mesmo um problema com as mulheres que estudam, argumentam e debatem? Os estudos dizem que a grande fatia dos estudantes que frequentam o ensino superior são mulheres. Qual a razão, então, para os programas de opinião serem, na sua maioria, compostos por homens?

 

O que é que acham? Não sentem esta desigualdade?

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