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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 08.08.18

Na paragem.

CD

Não era um rapaz índio, aquele que esperava no banco da paragem, mas era muito parecido com um. Tinha cabelos pretos, muito escorridos, como um rapaz índio, só que não era um. A sua pele, essa, era escura e o seu subtom quente, a atirar para os amarelos, como um rapaz índio, aliás, só que não era mesmo um.

 

Estava sentado no banco da paragem e, ao seu lado, sentava-se uma miúda, que de rapariga índia tinha muito pouco porque não era, na verdade, uma.

 

Sorriam firmemente com aquele sorriso que não engana ninguém e sorriam também com os olhos que sorriam mais do que o sorriso de índios que não eram. O sorriso brilhava e os olhos também. Brilhava, na verdade, tudo naquele banco da paragem onde, o rapaz índio que não o era e a miúda que nada tinha para ser uma, estavam sentados.

 

Os olhos, os nossos malfadados olhos, são capazes de tudo, até de falar mais do que os sorrisos e dos que as bocas e do que os braços e do que as pessoas. Atraiçoam-nos mas são honestos: não podemos confiar nos nossos olhos.

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