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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 14.06.18

Nada de surpreendente aconteceu nos Santos Populares.

CD

 

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Parece que Alfama ganhou novamente as Marchas Populares de Lisboa e parece também que ninguém ficou propriamente muito surpreendido.

 

Lisboa rumou aos seus bairros históricos e todos nós, no meio das cervejas e sardinhas caras e difíceis de comprar, maldissemos a confusão instalada na cidade. Repetimos, por entre o barulho ensurdecedor de música pimba, mas também da música brasileira, que estava muita confusão, como se não fosse nada normal esta situação, e já com uns copos a mais, todos nós, sem excepção, dançámos com portugueses velhotes bairristas, felizes pelas festas da cidade.

 

Paralelamente, comprámos manjericos, algum amigo esperto foi lá cheirá-lo, e nós berrámos, lá está, por entre a música alta e cerveja entornada, que “estás a matá-lo!”, porque, toda a gente sabe, os manjericos não se cheiram.

 

Falámos também sobre o facto de festejarmos Santo António, apesar deste santo querido da cidade, na verdade, não ser o seu padroeiro. E, claro, houve quem se tenha esquecido da lição de história dada no ano passado e que tenha perguntado admirado: “não é?”. E lá recomeçámos nós a cantiga de São Vicente, da Costa Vicentina e dos corvos que embelezam símbolo da cidade de Lisboa.

 

Vira o ano, quando me apanham em Lisboa nesta época é sagrado frequentar as festas da cidade e sagrada também é nunca haver grande surpresa na forma confusa como as vivemos.

 

Somos pessoas de rotinas, disso não há dúvida. E não há nada de mal nisso: há muita beleza na forma costumeira como se vive as coisas.