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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 20.09.16

Nada se sente como em português.

CD

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Há uns dias, uma amiga (das mais antigas – das melhores) que, para mal dos meus pecados, não vive em Portugal (mais uma) escreveu que, quanto mais lhe impigem uma língua, mais ela a rejeita.

O texto era complexo, de uma profundidade que feria e mexeu comigo ao ponto de quase lhe ligar a pedir que voltasse – não o fiz: ainda há muito sensatez neste ser que por aqui habita.

Mas senti (e a mim doeu-me) a saudade a pesar-lhe. Entristeci com o que ela disse e senti aquele apertão doloroso a trancar-me o peito, quando ela referiu que repudia a língua holandesa (a língua que agora a cobre) devido às saudades que tem em viver em português.

Saudades de Camões, de Eça, de Pessoa, de falar com quem com eles cresceu, de se envolver com as pessoas que lhes conhecem os cantos, as descrições, as personalidades. Claro que os pode ler, lá onde agora vive. Mas a envolvente que, neste momento, a minha amiga tem, não lhe permite a vivência fácil de quem com eles amadureceu.

Apertou-se cá dentro a dor da ausência e incapacidade de a resolver – de facto, nada se sente como em português.

E isso, com tudo o que tem de bom, no final do dia, é uma merda.

 

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