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(in)sensatez

19
Mar18

Nada vale o que é nosso, sem ser para nós.

CD

livros.jpg

 

O conjunto das nossas coisas, como muito bem referiu Miguel Esteves Cardoso, só faz sentido porque é nosso e por nós ter sido construído.

 

Será que mais alguém se interessa pela minha coleção de coisas? Por todas as coisas que a compõem? Sem exceção?

 

Os exemplares do livro que escrevi, vão continuar a viver nas casas que agora lhes dão guarida. Possivelmente, haverá sempre alguém que gostará das suas ilustrações garridas, espero. Espero também que alguém continue a gostar da história por mim criada, que remete para a doçaria alentejana. O chorão, que plantei, irá continuar a fazer sombra, de modo a abrigar os corpos que por ali se continuarão a esticar.

 

Mas, e todas as outras coisas?

 

Os livros da minha estante serão desmembrados, talvez oferecidos, uns já hoje preferem uns, outros irão preferir os outros, certamente. As minhas roupas serão retalhadas, divididas pelas pessoas que ficam. As minhas jóias e os meus lenços irão também ser escolhidos consoante o gosto de cada uma.

 

Os meus sapatos, que não são assim tantos, talvez sejam os únicos dados por inteiro, como um conjunto, uma vez que não há muita gente, na minha família, que calce o meu número.

 

E será isto. Ninguém ficará com a coleção inteira de nada.

 

É triste constatar mas, ao mesmo tempo, é realista referir que, nada vale o que é nosso, no seu conjunto inteiro, sem ser para nós.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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