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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Seg | 19.03.18

Nada vale o que é nosso, sem ser para nós.

CD

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O conjunto das nossas coisas, como muito bem referiu Miguel Esteves Cardoso, só faz sentido porque é nosso e por nós ter sido construído.

 

Será que mais alguém se interessa pela minha coleção de coisas? Por todas as coisas que a compõem? Sem exceção?

 

Os exemplares do livro que escrevi, vão continuar a viver nas casas que agora lhes dão guarida. Possivelmente, haverá sempre alguém que gostará das suas ilustrações garridas, espero. Espero também que alguém continue a gostar da história por mim criada, que remete para a doçaria alentejana. O chorão, que plantei, irá continuar a fazer sombra, de modo a abrigar os corpos que por ali se continuarão a esticar.

 

Mas, e todas as outras coisas?

 

Os livros da minha estante serão desmembrados, talvez oferecidos, uns já hoje preferem uns, outros irão preferir os outros, certamente. As minhas roupas serão retalhadas, divididas pelas pessoas que ficam. As minhas jóias e os meus lenços irão também ser escolhidos consoante o gosto de cada uma.

 

Os meus sapatos, que não são assim tantos, talvez sejam os únicos dados por inteiro, como um conjunto, uma vez que não há muita gente, na minha família, que calce o meu número.

 

E será isto. Ninguém ficará com a coleção inteira de nada.

 

É triste constatar mas, ao mesmo tempo, é realista referir que, nada vale o que é nosso, no seu conjunto inteiro, sem ser para nós.

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