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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 24.07.18

“Não estás com frio?” – Perguntam todas as mães do mundo.

CD

Julgo que há comportamentos que são transversais a todas as mães. Normalmente, são comportamentos que maldizemos quando somos filhos e que, possivelmente, iremos repetir, exactamente como víamos fazer, quando formos pais. Aceitem isto.

 

A minha mãe, sempre que eu estou com uma voz mais fraca, porque acabei de acordei ou porque estou a trabalhar, pergunta-me se se passa alguma coisa. Durante anos, isso enervava-me (afinal, eu estava a limitar-me a existir), até que, há relativamente pouco tempo, percebi que é só e apenas preocupação e que nunca devemos ficar enervados com actos de preocupação.

 

Mas isto para dizer que há uma frase que me perturba muito. Tenho a sensação que basta uma pessoa normal transformar-se em pessoa-normal-modo-mãe para passar a dispará-la para todo (repito: todo) o lado. Não é dita só aos filhos apesar de, no que toca aos filhos, ser muito mais evidente.

 

A frase é “não estás com frio?” ou ainda “não estás com calor?”, como se o nosso termostato fosse regulado pelo termostato de mães que, como se sabe, está sempre avariado porque, por norma, as mães têm sempre frio.

 

Quando uma pessoa tem 5 anos, é perfeitamente compreensível que haja uma certa preocupação pela nossa temperatura e se nos sentimos bem no meio ambiente onde nos encontramos. Com 33 anos, há genuína curiosidade por este tema? Atendendo ao facto de que somos adultos, parece-me óbvio que, se estivermos com frio, o passo seguinte seja vestir o casaco. Ou, se estivermos com calor, o passo seguinte seja despir o casaco.

 

Em mim, o reflexo é: “eu não estava com frio até ao momento em que me lembraram que, se calhar, até está frio e eu percebi que, afinal, até tenho frio”.

 

Este não deixa de ser mais um acto de preocupação e, no que toca a estes tipos de actos, devemos sempre estar agradecidos, respeitar e fazer de tudo - de tudo - para que eles não nos apoquentem pois não passam, no final do dia, de actos de amor.

 

Em caso de dúvida, lembrem-se sempre: vão fazer exactamente o mesmo quando forem pais.

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