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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 20.11.15

Não gosto de café porque sabe a café.

CD

Há uns largos anos eu costumava dizer que não gostava de café porque sabia a café.

(Agradeço, todos os dias, aos meus pais, pela paciência que tiveram para comigo porque educar uma criança com tanta tendência para desconversar não deve ser fácil.)

Na altura, a verdade é que, se o café não soubesse a café, eu até poderia gostar de café. Se tivesse, claro, um sabor que, de facto, gostasse. Chocolate, talvez. Nunca fui muito esquisita quando se trata de sabores: só o do café é que não me conquistava.

Lembro-me de ficar intrigada porque é que nunca ninguém tinha decidido criar um café com um leve sabor a outra coisa qualquer. Era menina para me deixar de estereótipos parvos com sabor a cafeina e bebê-lo. 

Hoje em dia, acho piada à frase do não gosto de café porque sabe a café e penso nela como a minha real postura adolescente, completamente transversal a muitas outras áreas da minha vida da altura.

Ora, o destino, como já vem sendo seu hábito, lá se encarregou de me provar que a vida dá muitas voltas. E, hoje em dia, encontro-me diariamente absorvida pelo sabor e pela vida existente numa única e pequena chávena de café. Mas, essencialmente, pelo seu cheiro acre e espumoso que me envolve aqui dentro e aquece. E revitaliza, se quiserem.