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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 12.04.19

No dia em que o meu irmão nasceu.

Catarina Duarte

No dia em que o meu irmão nasceu, numa clara antecipação no que toca às questões de igualdade de género da actualidade, os nossos pais ofereceram-me um carrinho de brincar e outro exactamente igual (mas aposto que mais giro porque há sempre um filho preferido!) ao meu irmão.

 

Reza a história que eu, então com três anos e tal, não liguei absolutamente nada ao carrinho, enquanto que o meu irmão, bom, o meu irmão também não: juram os meus pais que não se mexeu um centímetro do berço onde estava enrolado.

 

Quando o meu irmão cresceu, lá se entreteve com todos os carrinhos que quis enquanto que eu lhes continuava a ligar perto de zero; mantinha-me mais preocupada com as questões capilares das minhas barbies.

 

Parece que Cristiano Ronaldo está enrolado em nova polémica quando decidiu fazer algo com o filho mais novo que, bom, eu consideraria normal mas que, aparentemente, a comunidade já não: jogar futebol.

 

Um crime, eu sei.

 

Para quem não está a par, o nosso melhor do mundo colocou uma vídeo na rede social instagram, onde dá uns passes para o filho que, com apenas um ano de idade, lhe devolve a bola de forma certeira e ritmada. Escuso de dizer que lá surgiram as virgens ofendidas costumeiras porque a filha dele, que também por ali se encontrava, de certeza - DE CERTEZA – que queria entrar na brincadeira, que lhe foi, claramente, vedada essa oportunidade por ser rapariga.

 

Ora, parece-me que há duas formas de ver este assunto: a primeira, a forma que é utilizada pelas pessoas que veem maldade em tudo, que é: “lá está este parvalhão a discriminar a pobre da miúda que só aparece nas redes a brincar com maquilhagem”; a segunda, que é a que eu prefiro, é: “fogo, este miúdo, com apenas UM ano de idade, vestido com um babygrow (ou algo similar) com cara de ser bastante escorregadio, já dá passes tão certeiros, vai para a frente e para trás sem escorregar ou vacilar um centímetro; isto ou é genética ou é viver todos os dias com bola nos pés”.

 

Não me parece sensato permitir bolas apenas a rapazes e barbies apenas a raparigas MAS isto não quer dizer que não haja uma clara preferência de um sexo por uma coisa e outro por outra. Eu - se querem a minha opinião - acho que há mesmo! Eu não liguei ao carrinho que os meus pais me deram quando o meu irmão nasceu e o meu irmão, quando idade teve para isso, fartou-se de brincar. Nunca me foi vedado o acesso a eles mas havia uma clara tendência de um de nós para brincar com carros.

 

A imprevisibilidade das reações de quem nos segue nas redes sociais começa a ser demasiado castradora para quem quer partilhar, com a sua comunidade de fãs, pedaços da sua vida e, isto é mesmo verdade, não há maldade em tudo o que é partilhado.

 

Cristiano Ronaldo.jpg

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