No fundo, sou uma snob literária.
Hoje concluí que, no fundo, não passo de uma snob literária: julgo as pessoas por não lerem; julgo as pessoas pelo tipo de livros que lêem; julgo as pessoas pelos livros que têm; julgo as pessoas pela forma como tratam os livros; julgo as pessoas pela forma como organizam os livros; julgo as pessoas pela forma como lêem os livros; enfim, julgo.
Embora este "julgo" nem sempre tenha um carácter depreciativo, a verdade é que fico sempre com algum peso na consciência por fazer internamente comentários, aqueles: de mim para mim.
A realidade é que travo uma luta rasgada com a palavra "julgo". Devia renegar o snobismo literário no qual, assumidamente, me insiro. Tento não considerar quem não lê, com menos mundo do que quem lê, mas depois, a palavra julgo ganha contornos agressivos e, fundo-me em pensamentos perversos sobre quem faz da sua vida um deserto literário.
Julgo. Mas luto sempre, para não o fazer.
E isso, bem, isso já deve contar para alguma coisa.

