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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Dom | 13.05.18

O Facebook quer acabar com os solteiros.

CD

facebook engates.jpg

 

Antes de mais, recordar que não tenho rigorosamente nada contra os sites de engate. Aliás, em tempos até escrevi sobre o Tinder e as razões porque acho que é um local maravilhoso para malta se encontrar e amar (podem ler o texto aqui).

 

Bom, vamos falar sobre o tema de hoje: ficou-se a saber, aqui há uns dias, que o Facebook está a criar uma ferramenta para encontros amorosos.

 

A primeira coisa que me fez acender logo umas luzinhas foi: não é o Facebook o maior centro de engate do planeta? Que levante a mão quem nunca engatou ou foi engatado no Facebook. Nada de desviarem os olhares, eu estou-vos a ver. De certeza que preferiam dizer que todas as vossas relações começaram com um encontrão, à saída da biblioteca, carregados de livros, mas não, todos sabemos que a realidade não é essa.

 

A ideia dos príncipes que surgem montados num cavalo branco pode parecer bonita mas bastante irreal. Não é mesmo o meio mais utilizado para os príncipes se deslocarem. De todo.

 

Segundo as palavras do próprio Facebook (sim, todos sabemos que o Facebook ainda não fala - é uma força de expressão) o propósito desta aplicação é mesmo a criação de relações duradouras: “É para relações com algum significado, não apenas casos de uma noite”. O que é triste porque (quase que aposto) muitos dos engates que, até então, surgiram nesta plataforma, de certeza que não passaram de uma noite. É bom ver as coisas estão a mudar (alerta: ironia!).

 

Mas o que me intrigou e levou a escrever este texto foi a história trazida pelo próprio Facebook para justificar esta nova ferramenta. Ora vejam: “Milhões de pessoas dizem que são solteiras no Facebook e temos de fazer algo quanto a isso.”

 

Temos que fazer algo quanto a isso?

 

É bom saber que o nosso estado civil, nesta sociedade moderna, nesta sociedade evoluída, nesta sociedade toda prá frentex, continua a funcionar como o nosso calibrador de felicidade. Como se o nosso estado civil fosse, de algum modo, motivo para mudarmos algo porque, de certeza, que algo está errado em nós, para continuarmos solteiros.

 

O anjo da guarda dos solteiros desta sociedade moderna, evoluída e prá frentex reuniu, então, o Conselho de Administração Executivo dos sentimentos humanos e decidiram que tinham que fazer alguma coisa para alterar a vida de quem tem “solteiro” definido no perfil do Facebook, numa tentativa de lhes mostrar a luz e de os guiar para fora das trevas onde essa malta toda se encontra.

 

É bom termos um Mark Zuckerberg nas nossas vidas e devemos estar gratos por isso.

 

Nunca se esqueçam de agradecer. 

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