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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Dom | 19.03.17

O flagelo dos tupperwares (passo a publicidade).

CD

Não sei se é só a mim que estas coisas acontecem.

 

Relativamente a tudo aquilo que me atormenta, gosto de pensar que são situações mais frequentes nos outros, do que aquilo que imagino: não devo ser a única pessoa a quem os bules faltam a respeito ao entornarem-se consecutivamente, não devo ser a única a quem os telemóveis insistem em cair na sanita tal as suas obsessões por salto em altura e, também, não devo ser a única a delegar graciosamente a gestão dos tupperwares para terceiros, porque a ter que ser aqui a “je” a executar esta tarefa, dá origem um dispêndio de tempo relativamente difícil de gerir e, o mais certo, é não concluir a atividade com sucesso.

 

Primeiro, tenho uma certa dificuldade em criar os pares "tampa-recipiente". Provavelmente, pensarão vocês, é uma tarefa que qualquer miúdo de oito anos consegue executar com elevado grau de sucesso.

 

Mas eu, bom, eu passo largos minutos da minha vida, sentada no chão da cozinha a tentar encontrar os parceiros das tampas, qual jogo de lógica infantil. Nota: na minha cozinha, até acho que impera alguma ordem: as tampas estão de um lado da gaveta, os recipientes noutro. Mesmo assim, a parte do cérebro reservada para puzzles deve ter sido esvaziada aos oito anos (e eu até era boa nisso, juro!). Normalmente, pego no primeiro conjunto que encaixa. Muitas vezes, não se adequa à quantidade de comida que pretendo armazenar.

 

Quando acerto, nos pares tampa-recipiente, quando, no limite, consigo fazer mais do que um conjunto e tenho a opção de escolha entre este ou aquele par, tenho tendência para escolher sempre tamanhos desadequados para comida que pretendo guardar: ou muito grandes (o mais frequente) ou, muito raramente, o contrário. O resultado tende a ser um frigorífico repleto de tupperwares de tamanho considerável onde, lá dentro, jazem apenas micro, micro gramas de alimentos.

 

Não sei se o flagelo dos tupperwares é transversal, não sei se os telemóveis convosco também mergulham tranquilamente para a sanita e não sei tão-pouco se os bules tendem a respeitar-vos, mas todos os dias em que algo deste género não me acontece, é uma vitória para mim. E eu, de vitória em vitória, lá vou ganhando os meus dias. Como podem ver, só uma pessoa relativamente fácil de contentar. :)

 

Boa semana :)

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