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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 11.07.17

O rádio do meu avô.

CD

Radio Philips.JPG

 

Sou muito dada a objectos sem que, por isso, me considere materialista.

 

Confusos?

 

Eu explico: a memória, que é capaz de ser aquilo que melhor nos define enquanto pessoas, tende a escassear. A minha, em particular, não me dá tréguas. Não me lembro de muitas situações que ocorreram recentemente (perguntem-me o que jantei ontem e vão ver o tempo que fico aqui às voltas), imaginem aquelas que aconteceram há anos.

 

Por essa razão, acho que apenas por esta razão, agrafo-me aos objectos da minha família, como forma de me manter próxima dela.

 

O rádio do meu avô estava exactamente por detrás do lugar onde o meu avô se sentava às refeições. Quando mirava o meu avô, pelo meu lado direito, via os dois: observava o meu avô a comer, com real satisfação, o bife com batatas fritas e observava também o rádio que se mantinha desligado mas fiel em todas as refeições.

 

Hoje em dia, o meu rádio que, em tempos, foi do meu avô, também está na minha sala de jantar. Não está atrás da minha cadeira, mas consigo-me mira-lo também pela direita, exatamente como fazia quando a companhia era outra.

 

Gostava de saber como é que as pessoas desapegadas fazem na hora de recordar.

 

A minha forma de o fazer é, sem dúvida, esta.

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