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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 07.03.18

Opinião: Eu, Tonya.

CD

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Foi no passado fim-de-semana que vi o filme “Eu, Tonya”.

(Spoiler Alert: este texto tem muita informação sobre o filme.)

 

O filme conta a história de Tonya Harding, a polémica patinadora americana, que ficou conhecida pelo ataque à sua rival Nancy Kerrigan, com o objectivo de lhe partir as pernas, impedindo-a, deste modo, de competir.

 

A Tonya vem de uma família problemática, o pai saiu de casa era ela ainda muito nova, ficando a viver com a mãe – não vos consigo explicar o quanto adorei a interpretação da mãe – que passa a infância e adolescência de Tonya a maltratá-la física (segundo o filme, chegou a atirar-lhe com uma faca) e psicologicamente.

 

Por estar habituada à violência, acaba por se casar com um tipo também ele altamente violento e, de violência em violência, acaba por se tornar, também ela, uma pessoa muito agressiva.

 

Com uma carreira promissora na patinagem, dado que foi a primeira mulher americana a fazer o axel triplo, um salto com bastante dificuldade, as coisas começam a decair, devido a toda a agressividade que ela planta à sua volta.

 

Acresce o facto de Nancy ser a querida do público e Tonya ser o grande alvo a abater (elas, numa fase inicial, até eram bastante amigas). Não interessava o quão boa era Tonya a patinar, o que interessava é que ela tinha sido a escolhida para odiar.

 

Também gostei muito de terem retratado (que, na verdade, é também um dos pontos importantes na história desta Tonya e de tantas outras que se perdem pelo caminho) o facto de, por mais jeito que alguém tenha para alguma coisa, conta muito, mesmo muito, o acompanhamento e estabilidade que essa pessoa, na sua vida, tem.

 

A vencedora do Óscar de Melhor Atriz Secundária acaba por ser mesmo Allison Janney, que faz de mãe de Tonya. E que bem entregue que foi!

 

Esta história só veio dar força a um poema de António Aleixo (que uma amiga minha costuma reproduzir), que transcrevo abaixo:

"Não sou esperto nem bruto

Nem bem nem mal educado;

Sou simplesmente o produto

Do meio em que fui criado." 

António Aleixo

 

E vocês? Já viram? O que acharam?