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(in)sensatez

por Catarina Duarte

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por Catarina Duarte

Ter | 26.03.19

Opinião: O desaparecimento de Madeleine McCann - série documental.

Catarina Duarte

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Este fim-de-semana, acabámos de ver a série documental, disponível na Netflix, sobre o desaparecimento de Madeleine McCann. Reconheço que talvez, devido à minha situação de grávida, não tenha sido a melhor altura do mundo para ver algo relacionado com desaparecimento de crianças mas, enfim, a curiosidade foi mais do que muita.

 

Este documentário, composto por 8 episódios de, aproximadamente, 50 minutos cada, explora, de forma cronológica, as diferentes teorias que foram servindo, ao longo dos anos, o desaparecimento da miúda inglesa, enquanto passava férias com os pais, os irmãos e mais uns amigos dos pais, na Praia da Luz, no Algarve.

 

Esta série documental fala sobre as várias pessoas que foram constituídas arguidas ao longo do processo, os vários julgamentos e as diversas teorias, algumas delas bastante mediáticas, sem nunca, no entanto, se verificar uma tendência/opinião forte sobre o tema. Penso, talvez, que o seu objectivo principal seja expor toda a informação disponível sobre o tema e não criar uma opinião.

 

Algo que salta logo à vista é o facto dos pais de Maddie não entrarem no documentário apesar de, ocasionalmente, aparecerem imagens suas. Segundo li, a razão desta tão importante ausência deve-se ao facto da investigação ainda estar em curso e não quererem comprometer o eventual sucesso da mesma.

 

Eu já tinha a ideia que este caso ter sido muito falado há 12 anos atrás (sim, já passaram 12 anos) e esse é um dos pontos que este documentário toca: o mediatismo que este desaparecimento teve.

 

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Se desaparecem crianças com alguma regularidade o que é que torna este caso tão diferente? Na minha opinião, são as características do mesmo: trata-se de uma família de classe média-alta (os desaparecimentos de crianças, tipicamente, acontecessem em famílias mais pobres que veem na venda de uma criança a eventual saída de apertos financeiros), a passar férias, onde as pessoas estão leves e descontraídas, numa zona tranquila, no Algarve.

 

Fazem parte deste documentário diversos jornalistas conhecidos da nossa praça, tais como, Felícia Cabrita e a Sandra Felgueiras, e membros da polícia que nos habituámos a ver, como o Gonçalo Amaral.

 

Não digo que seja um documentário fácil de ver, deu-me sono em alguns dos seus episódios mas também me tirou o sono em muitos outros. Há imagens que, mesmo não sendo as reais e sendo construídas para efeitos do próprio documentário, nos perseguem noite após noite.

 

Há, no entanto, independentemente da teoria em que acreditamos, uma pergunta que fica sempre: porque é que alguém que deixa os filhos, num quarto a dormir, para ir jantar, e há um filho que desaparece, não é julgado pelo crime de abandono tal como, recordo, aconteceu ao casal chinês que deixou a filha no apartamento, em Lisboa, para ir jogar para o Casino?