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(in)sensatez

por Catarina Duarte

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por Catarina Duarte

Sex | 22.06.18

Opinião: O Meu Nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout.

CD

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Este ano, só tenho lido livros fantásticos e este não foi excepção.

 

Este livro conta a história de Lucy Barton, uma mulher casada, com duas filhas, que passou a sua infância na miséria e, que, de forma totalmente inesperada, se vê numa cama de hospital.

 

Nessa cama descobre-se sozinha, o marido não gosta de hospitais e as filhas são demasiado pequenas para a visitarem, até que aparece a sua mãe, com quem não estava há muito tempo e com quem mantinha uma relação difícil. Nesse momento, esta mãe pouco carinhosa, dá-lhe tudo aquilo que ela precisa.

 

É um livro pequeno, que se lê de forma rápida, com muitas mensagens, e obrigatório para todas as mães e para todas as filhas que são ou vão ser mães.

 

As relações mães-filhas podem ser complicadas e, ainda que não o sejam com a densidade que este livro mostra, há sempre temas por resolver, pontos por esclarecer e que, verdade seja dita, nunca o vão ser verdadeiramente.

 

Para além da relação de Lucy com a sua mãe, o livro toca também na relação de Lucy com as suas filhas e na forma como a sua relação com elas, a dado momento, se começa a deteriorar. Remato, então, dizendo que, por mais que estejamos sensibilizadas para não ter determinadas ações que condenávamos na nossas mães, há outras que irão, certamente, surgir e afectar as nossas relações. Quando alguém me diz: “espero não cometer os mesmos erros com os meus filhos que os meus pais cometeram comigo”, refiro sempre “vais cometer outros”. E é mesmo verdade: cometemos sempre outros. A minha tia costuma dizer que “não há amor como o de mãe”. Sei que sim, que é verdade, mas, igualmente verdade, é a nossa facilidade em errar.

 

O que é que eu mais gostei do livro foi o facto de ele ser bastante contido nas palavras, na tentativa de transmitir uma ligeireza que não é real. É um livro limpo, no que à narrativa diz respeito. Gostei também das conversas leves que mãe e filha mantinham, quando relatavam o passado e faziam pontos de situação constantes com o que lá atrás tinha ficado, um passado meio esquecido mas sempre presente. Esta cumplicidade, apesar de toda a distância, física e mental, é interessante e bastante real.

 

Aparenta ser um livro liso e indolor mas cria-nos uma constante sensação de inquietude que me agrada. Acho que leio porque procuro situações que me tirem da minha zona de conforto e este não nos deixa, de todo, ficar indiferentes a cada nova página.

 

Recomendo!

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