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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sab | 24.03.18

Opinião: O Que Sabemos do Amor, de Raymond Carver.

CD

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Aqui há uns tempos escrevi:

 

“Estou a ler um livro que me anda a inquietar.

Ontem, por exemplo, tive que o largar, porque já era tarde, já estava meia adormecida e estava com receio que me assombrasse o sono – resolvi pegar noutro.

É muito poder dado a um aglomerado de folhas. Muito poder. Mexerem com os nossos sentimentos, ainda é como o outro, mas, bolas!, mexerem com o nosso sono é, absolutamente, brutal (caso não fosse muito cansativo).

Vou falar sobre ele brevemente - acho que este escritor merece ser partilhado ao mundo.

Curiosos?“

 

Foi engraçado porque, assim que escrevi o texto acima, algumas pessoas vieram-me logo perguntar qual era o livro. Aqui estou eu para revelar tudo.

 

O livro chama-se "O que sabemos do amor", de Raymond Carver.

 

Carver foi um escritor americano que apenas viveu 50 anos e que ficou conhecido, essencialmente, pelos seus contos. O facto de se ter casado muito cedo e de ter que sustentar a família, levou-o a deixar a escrita de lado. Há imensa confusão com as edições dos contos de Carver. Eu comprei e li a que está na imagem, publicada pela Quetzal, traduzida por João Tordo, pois os contos estão completos. Neste livro encontramos, então, a versão original de 17 contos escritos por Carver.  No livro onde estes textos estão reproduzidos (e, também, o mais conhecido) “De que falamos quando falamos de amor”, mais de 50% dos textos estão cortados. Portanto, quando comprarem, assegurem-se que têm a versão dos contos completa.

 

Eu adorei este livro. Carver escreve maravilhosamente bem, de uma crueza inimaginável, sem qualquer mel para adoçar o que de mais ácido existe em nós.

 

Quando lemos os seus contos, estamos sempre com o coração na boca, não pelas frases pomposas e cheias de bibelots, mas devido à dureza que cada ideia, lugar ou pessoa, em si encerra.

 

Destaco 4 contos: “O Caso”, “Uma Coisa Pequena e Boa”, “Se tu assim o quiseres” e “Principiantes”.

 

O conto “Principiantes” tem uma descrição do que é o amor que é absolutamente deliciosa pelo realismo que representa. Fala sobre o quanto amamos quem hoje temos ao lado, o quanto amámos quem por nós passou, a forma como não conseguimos compreender como amámos tanto quem connosco viveu e, especialmente, a nossa capacidade de acabar e de recomeçar.

 

Os contos são envolventes, alguns duros, na maioria duros, mas a dúvida permanece sempre, deste título que, de afirmação, transformo em pergunta: O Que Sabemos do Amor?

 

Leiam. É um dos livros da minha vida.

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