Os domingos de outono.
Os domingos, estes de outono, querem-se calmos.
Na verdade, não se querem calmos, querem-se a arrastar.
Os pensamentos querem-se a desvanecer, querem-se a ir até ao sofá. Querem-se a ficar por lá.
Os gestos querem-se lentos, pausados e contidos e as vozes precisam-se baixas, quase excluídas do corpo que lhes dá alma.
O acordar é lento. A vida, nestes domingos de outono, simplesmente, passa. Nós permitimos que ela avance por nós pausadamente e não nos queixamos. Nós até gostamos. Nós até agradecemos.
São assim os nossos domingos de outono.
