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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 06.09.16

Para que nunca te esqueças onde estás.

CD

Assim que pisamos solo francês, rumo a Biarritz, comecei a sentir no ar aquela segurança cravada pelo medo. Não comentei nada, mas senti-a em cada passada feliz, por estarmos de férias, que davamos.

Nas ruas de Biarritz, tive a certeza que a existência, dos meus sentimentos opostos, não era um sonho.

Quando procuravamos um restaurante para almoçar, mirando com olhar curioso as locais por onde passavamos, deparámo-nos com quatro militares, armados até aos dentes, com metralhadoras a tiracolo. Caminhavam pausadamente enquanto olhavam de forma discreta para ambos os seus lados – faziam-no de forma indiferente e tranquila, como se a sua figura quadrada e pesada passasse, de algum modo, despercebida.

O meu coração disparou e eu senti que os meus vagos pensamentos de “e se…”, desde que tinha entrado em França, eram reais.

- Para que nunca te esqueças onde estás – foi o que ouvi e foi o que senti.

Até nos podemos esquecer, embriagados pela beleza das férias, por momentos, do horror do terrorismo, mas nunca nos vamos esquecer, infelizmente, que o mundo, tal como o conhecíamos, mudou.