Quando todos saírem, o que restará da nossa Lisboa?

Imagino, muitas vezes, Lisboa como uma senhora alta, de silhueta fina e de rosto delicado. Imagino a sua tez luminosa a refletir o sol que lhe entra pelos poros adentro.
Na minha imaginação, Lisboa tem sempre um colar de pérolas de duas voltas ao pescoço e os seus gestos, esses, são contidos. As pessoas gostam dela porque o seu esmero, em receber, é grande. Tem dedicação nos detalhes. Tem educação no trato.
Lisboa é graciosa.
Mas imagino-a também, muitas vezes, sozinha.
Lisboa recebe as pessoas em sua casa, abre-lhes a porta e serve-lhes o seu melhor prato regado com o seu melhor vinho. As pessoas vêm de fora para a ver, para a cheirar, para a provar e, depois, largam-na.
A noite cai e adormece sozinha, no seu quarto frio, na sua cama vazia.
A pergunta que fica é sempre esta: quando todos saírem, o que restará da nossa Lisboa?