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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 19.12.17

Quando todos saírem, o que restará da nossa Lisboa?

CD

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Imagino, muitas vezes, Lisboa como uma senhora alta, de silhueta fina e de rosto delicado. Imagino a sua tez luminosa a refletir o sol que lhe entra pelos poros adentro.

 

Na minha imaginação, Lisboa tem sempre um colar de pérolas de duas voltas ao pescoço e os seus gestos, esses, são contidos. As pessoas gostam dela porque o seu esmero, em receber, é grande. Tem dedicação nos detalhes. Tem educação no trato.

 

Lisboa é graciosa.

 

Mas imagino-a também, muitas vezes, sozinha.

 

Lisboa recebe as pessoas em sua casa, abre-lhes a porta e serve-lhes o seu melhor prato regado com o seu melhor vinho. As pessoas vêm de fora para a ver, para a cheirar, para a provar e, depois, largam-na.

 

A noite cai e adormece sozinha, no seu quarto frio, na sua cama vazia.

 

A pergunta que fica é sempre esta: quando todos saírem, o que restará da nossa Lisboa?